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As empresas de alimentação e de refeições coletivas, como GRSA, Sodexo e Gran Sapore, estão investindo mais no segmento de varejo e em novas marcas de restaurantes, cafeterias e lanchonetes, que podem ser abertos até em eventos esportivos, pontos turísticos, hospitais e terminais rodoviários. Essa tendência é um movimento que está vindo de fora, visto que GRSA e Sodexo são controladas por multinacionais que já atuam nesses segmentos em outros países.

São diversos locais que estão começando a ser explorados agora e tem se mostrado como alternativas ao mercado de restaurantes corporativos, que tem um crescimento menor e já está mais consolidado.

No caso da GRSA, a empresa vê um grande potencial de crescimento em um setor que seria pouco explorado no País, o de esportes e lazer. O varejo já representa 10% da receita da rede, que faturou R$ 1,3 bilhão em 2007. Na semana passada, em parceria com o São Paulo Futebol Clube (SPFC), a empresa inaugurou o Santo Paulo Bar, dentro do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, no Morumbi, que servirá como teste para a empresa e no qual investiu R$ 1,9 milhão.

De acordo com Paulo de Oliveira Pires, presidente da GRSA, a partir do estádio do Morumbi será possível crescer nos demais locais de esportes, não só ligados ao futebol, e também em eventos esportivos, no segmento de lazer, podem atuar em casa de show, por exemplo. "Só em São Paulo e no Rio de Janeiro há dezenas de casas de espetáculo, esperamos um crescimento bastante forte", disse. Nesse segmento, a GRSA também acabou de firmar contrato com o Expo Transamérica.

A escolha do Morumbi para entrar no setor teria se adequado às intenções da GRSA e também do SPFC. No estádio, ocorrem mais de 30 jogos de futebol anualmente, dos 70 que são realizados no Brasil, a cada ano. O local, também um ponto turístico, está em um bairro nobre da cidade e o bar deve funcionar não só em dias de jogos, mas de quarta-feira a domingo. Segundo a diretoria do clube, a renda da venda dos ingressos também não é suficiente para manter o estádio e a parceria faz parte do "Morumbi Concept Hall", estratégia que prevê melhorias e a entrada de outros estabelecimentos comerciais. "Muitos outros virão, é só o começo, já fomos procurados por vários segmentos, por livrarias e até academias, já temos aqui também uma loja da Reebok", diz o gerente de Marketing Júlio Casares.

Internacional

Em outros países os setores já são explorados, a própria Compass, proprietária da GRSA, também do segmento de alimentação, sendo uma das líderes mundiais com mais de 40 mil unidades em 60 países, já atuava, por exemplo, como responsável pela alimentação em eventos como Super Bowl e torneios de tênis, como o US Open, trazendo a tendência para cá. Para o Compass Group, esse segmento já representa 10% da receita total da rede.

A empresa de origem britânica detinha 50% da GRSA e, em fevereiro deste ano, adquiriu os outros 50%, que pertencia ao Grupo Accor, passando a ter seu total controle acionário, o que mostra seu interesse no Brasil. O País já é o oitavo mercado para a rede em volume de negócios e, em 2007, o Compass Group teve um faturamento de mais de R$ 20 bilhões. "O negócio foi bastante interessante pois a Compass tem exatamente o mesmo core business que nós e isso possibilitará um crescimento ainda maior para este ano, com mais foco", explica o presidente da GRSA.

Enquanto isso, a Sodexo, também com capital estrangeiro e uma das principais concorrentes da GRSA no Brasil, está de olho também em novos segmentos para diversificar seus negócios. Uma possibilidade é abertura de unidades em pontos turísticos, hoje a Sodexo possui uma cafeteria, da marca Aroma Café, no bondinho do Pão de Açúcar, ponto turístico do Rio de Janeiro que recebe mais de um milhão de turistas por ano. A unidade foi aberta no final do ano passado em parceria com a prefeitura da cidade.

De acordo com a gerente de Marketing da Sodexo, Vanina Petrella, no exterior isso já é uma prática, a holding francesa já teria diversas unidades em pontos turísticos, como na Torre Eiffel, em Paris. No Brasil, ainda não se tornou um segmento de atuação, mas a gerente diz que não descartam a possibilidade e oportunidades de novos negócios.

A gerente também diz que ainda este ano podem ser trazidas para o Brasil novas marcas da Sodexo de restaurantes e cafeterias, que já existem em outros países. Hoje, a rede possui algumas marcas próprias que atuam no varejo e acabou de criar uma nova marca, a Aroma Sanduicheria, para funcionar de forma semelhante as cantinas em escolas privadas, segmento que também se destaca para a empresa. O setor de educação cresceu 31% em 2007, alta maior do que o da empresa, que foi de 24,5% em relação a 2006, com um faturamento de R$ 700 milhões. Este ano, a Sodexo espera crescer cerca de 20%.

Hospitais

Uma de suas apostas ainda são os hospitais, "um importante nicho do mercado", de acordo com a gerente. Atualmente, a rede atende 25 hospitais e o setor tem crescimento de até 50% por ano. Petrella explica que 70% das empresas e indústrias já têm o serviço de alimentação terceirizado e não há tanto espaço para crescer nesse mercado quanto no de saúde e educação, por exemplo. "Além disso, todos os holofotes estão no Brasil, principalmente agora que alcançamos um grau de investimento elevado", diz.

Já a Gran Sapore, maior empresa nacional do setor, ainda atua somente com restaurantes corporativos, atendendo clientes como Carrefour, Vale do Rio Doce, Petrobras e Coca-Cola, mas tem projetos de entrar no varejo. A empresa diz não descartar a possibilidade de entrar no varejo com uma rede de restaurantes de marca própria, mas não revela o investimento previsto ou necessário. "Temos projetos de entrar nesse mercado sim, há vários planejamentos", afirma o diretor presidente da Gran Sapore, Daniel Rivas Mendez.

GRSA, Sodexo e Gran Sapore investem mais no varejo e apostam em novos segmentos, abrindo unidades em estádios, eventos esportivos, pontos turísticos, hospitais e escolas.