Publicado em

São Paulo - Fusões e aquisições são o caminho encontrado pelo setor de tecnologia na conquista de novos mercados dentro e fora do País, em meio a um ano de expectativas comedidas para as companhias do ramo. Tanto que até o fim do mês de abril, 53 aquisições foram celebradas no ramo - 16 a mais que as concretizadas no primeiro quadrimestre do ano anterior.

A Quality Software foi uma das empresas que adotaram a estratégia. Especializada em terceirização de projetos e operação de infraestrutura em hardware, a companhia confirmou na semana a aquisição integral da Tech Supply, que atua no ramo de tecnologia para auditorias. Divulgada na última semana, a negociação deve atingir a casa dos R$ 21 milhões. Segundo o diretor-presidente da Quality Julio Britto Junior, a necessidade de ampliar a base de clientes foi o maior propulsor da transação.

"O objetivo entre os acionistas é constituir uma empresa que seja grande suficiente para atender todos os portes de clientes", explica Britto Junior, que não descarta novas compras. Para o executivo, a consolidação da Quality mira médios e pequenos empresários que, por sua vez, contratam serviços de tecnologia de empresas proporcionalmente compatíveis.

"Pequenas e médias são o grande motor do nosso país. Elas demandam tecnologia com ferramentas que suportem suas necessidades, mas com um ticket ajustado."

O processo de incorporação da Tech Suply deve ser concluído em 2016. Segundo o CEO da empresa, João Faloppa, o negócio foi vital para a ampliação das operações. "Estávamos em um momento em que precisávamos de uma estrutura mais sólida para continuar crescendo. Sem investimento, não conseguiríamos." A base de clientes da Tech Supply - cerca de 300 companhias - também deve ser beneficiada pela aquisição, uma vez que a estrutura passará a ser compartilhada. "As empresas têm soluções complementares, então poderemos entrar em clientes que antes tínhamos dificuldades. Estávamos limitados a Brasília e Região Sudeste. Com a Quality, essa aderência vai aumentar."

Estudo

Permitir que o consumidor final contrate uma companhia capaz de gerir diferentes recursos através do aumento do leque de serviços oferecidos é um dos principais motivos que sustentam o ramo de TI no primeiro lugar do ranking de M&A em 2015 (mergers and acquisitions , do inglês aquisições e fusões), segundo relatório da consultoria PwC Brasil.

Para o sócio da PwC Brasil e líder em Fusões e Aquisições, Rogério Gollo, a pulverização existente no setor de TI é o principal motivador da movimentação. "É um mercado com uma grande quantidade de empresas pequenas, que atuam em segmentos específicos e que não tem como concorrer com as grandes. Então existe uma conveniência nesse tipo de negociação."

Na avaliação de Gollo, o momento macroeconômico também pressiona as transações. "O dólar mais alto torna as empresas brasileiras mais atrativas para o capital estrangeiro. A expectativa é que o ano que vem tenha ainda mais fusões do que este ano", completa.

Diversificação

Buscar um investidor foi a solução encontrada pela Radix Engenharia e Software para continuar crescendo. Especializada no desenvolvimento de tecnologia para o setor de óleo e gás, a companhia viu a diversificação de serviços e a internacionalização como dois caminhos possíveis para fugir da crise que afeta a indústria petroquímica brasileira.

"Começamos a atuar em outros segmentos, como defesa, agronegócio e energia. Também fizemos um investimento nos Estados Unidos, abrindo a Radix US, que trabalha lá com óleo e gás", explica o presidente da empresa, Luiz Rubião. Para tal, ele conta que foi necessário que a companhia recebesse investimentos. Os aportes vieram através do Grupo Sotreq, que adquiriu 50% da Radix por meio de injeção de capital e também de participação acionária.

"Eles estavam querendo investir e abrir esse leque para poder ofertar aos clientes", explicou Rubião - a Sotreq é especializada em revenda de maquinário. "E para a gente também foi ótimo porque eles tem condições de investimentos, são 100% brasileiros e se mostraram totalmente sincronizados conosco", argumenta.

Fusão

A complementação de serviços também foi a razão que motivou a fusão entre a NSI e a Bysoft, ambas inseridas no ramo de prestação de serviços para o comércio exterior. "As duas atuam na área, mas a NSI atende grandes exportadores e importadores, enquanto a Bysoft presta serviço para prestadores de serviço", explica o diretor de operações da NSI, André Barros. A sociedade foi concluída em meados de abril.

"Como as soluções não eram integradas, então existia um retrabalho muito grande, que implicava em risco e acabava impactando todo o custo final. Foi um projeto fantástico", concluiu o diretor. Segundo Barros, as novas coirmãs devem seguir operando de forma independente até a conclusão do processo de rebranding do novo grupo.