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Embora a ascensão da tecnologia traga novas oportunidades aos profissionais da área de tecnologia nas grandes empresas, a demanda tem ultrapassado a oferta de mão de obra. Segundo o IDC Brasil, há hoje mais de 100 mil vagas não preenchidas por aqui.

O gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil, Pietro Delai, afirma que o déficit é um resultado da falta de instituições para formar os profissionais buscados da área, como, por exemplo, cientistas de dados. “A demanda ainda é maior que a oferta, não conseguimos criar profissionais em volume suficiente para atender as necessidades do mercado, que está se modernizando”, analisa.

A mudança no cenário de negócios exige reestruturação dos cursos de TI, que precisa formar pessoas com capacidade para compreender e trabalhar com novas tecnologias como inteligência artificial. Exemplo disso, conta ele, é que não há uma graduação específica para cientistas de dados no Brasil.

Foi revelado esta semana, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que o Brasil é um dos países com a menor participação de graduados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (17%) ante média de 24% entre os 34 países membros da organização.

Currículo perfeito

Ter habilidades de tecnologia hoje não basta para os profissionais de TI. As empresas buscam especialistas com uma visão estratégica de negócios e que consigam auxiliar na tomada de decisões utilizando como base a leitura de dados disponíveis, por exemplo.

O coordenador acadêmico do curso de administração e gestão de TI da Fiap, Claudio Carvajal, reforça a necessidade das empresas em contratar profissionais de TI com uma perspectiva de mercado.

“Este funcionário passa a ter um papel mais estratégico e contribui com ideias e formações sobre novas tecnologias, mas alinhado com uma visão de negócios”, argumentou o docente ao DCI.

Apesar da necessidade das empresas em receber auxílio do setor de tecnologia para a tomada de decisões, muitos executivos ainda não utilizam os dados para a criação de estratégias. O vice-presidente da MicroStrategy na América Latina, Flávio Bolieiro, comenta que não basta ter uma área de TI bem desenvolvida ou capacitada se a diretoria não estiver aberta à inovação.

“As corporações de todos os segmentos criam base de dados porque têm inúmeras informações sobre diferentes assuntos da vida dos clientes, mas não basta ter estes dados, é preciso saber e querer utilizá-los”, afirma Bolieiro.

Neste contexto, surgem as startups, que não somente preenchem o déficit de profissionais de TI, mas também desenvolvem e oferecem soluções aos problemas administrativos enfrentados pelas grandes empresas. Segundo estudo divulgado em julho pela Liga Ventures, o Brasil conta com 117 startups que oferecem serviços para a área de tecnologia da informação.

Para o startup hunter da Liga Ventures, Raphael Augusto, as organizações devem trazer para o setor de tecnologia as inovações que auxiliem o entendimento dos escopos de atuação da área. “O grande desafio do TI é sustentar um processo que é muito grande e mostrar um grau de maturidade que condizia com o grau de responsabilidade da empresa”, discorre.

 

 

 

A chegada dos robôs

A perspectiva dos especialistas é de que a atuação das startups não interfira na empregabilidade dos profissionais. O que pode acontecer, como já projeta a IDC Brasil para 2019, é a diminuição do número de vagas devido à substituição por máquinas.

A visão de Delai sobre as startups que oferecem serviços de tecnologia é positiva: “A oportunidade continua existindo, o que acontece é que as startups acabam sendo fornecedores para essas empresas que à procura de profissionais”, explica.

Além disso, para o especialista, com a procura cada vez maior de funcionários de TI qualificados, aumentam as chances de surgirem cursos de graduação especializados para suprirem o déficit na área.