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Após estagnação de dois anos, o gasto corporativo médio com TI teve leve alta no ano passado, atingindo 7,7% do faturamento líquido das empresas. A má notícia ficou para o setor de serviços, que não acompanhou o movimento e ainda diminuiu o aporte médio por estação de trabalho.

As conclusões são do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (GVcia) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi a vigésima nona vez que a entidade realizou o levantamento anual.

Em 2015 e 2016, foi constatada uma paralisação do gasto com tecnologia, que representou 7,6% do faturamento médio nos dois anos.

Mesmo que modesta, a alta para 7,7% em 2017 foi classificada como uma “grata surpresa” pelo professor da FGV e coordenador do estudo, Fernando Meirelles – ele trabalhava com a hipótese de nova estabilidade ou de queda inédita no indicador.

Entre os setores da economia, todos indicaram aumento no gasto, com exceção das empresas de serviços. Entre os bancos, o montante evoluiu de 14,1% do faturamento há um ano para 14,8%. Já na indústria houve alta de 4,5% para 4,7%.

Mesmo o comércio – que “puxa para baixo” a média nacional, segundo Meirelles – verificou crescimento, passando de 3,5% para 3,6%. Neste caso, Meirelles estima que obrigações fiscais agora informatizadas tenham gerado certa impulsão.

No caso das prestadoras de serviços, o investimento médio ficou estacionado em 11%. Já o custo anual por teclado (ou estação de trabalho) no setor caiu, passando de R$ 41,3 mil para R$ 40,3 mil.

Ainda assim, o valor é maior que a média brasileira (R$ 35 mil). No caso do setor financeiro, o custo médio por teclado atingiu R$ 72 mil (ante R$ 70 mil há um ano). O valor é bem maior que o identificado na indústria (R$ 31,9 mil por estação de trabalho ante R$ 30,7 mil em 2016) ou no comércio (apenas R$ 22,5 mil, apesar de alta frente os R$ 20 mil do ano passado).

Concorrência

A GVcia também identificou a participação de mercado das empresas de software entre a base de entrevistados – que somou 2,5 mil respostas. Entre as 500 maiores do Brasil, 66% reportaram informações.

No mercado de software de gestão empresarial (ou ERP), a liderança ficou com mais uma vez com a brasileira Totvs (35% de share), seguida pela alemã SAP (31%) e pela norte-americana Oracle (14%). “A Totvs é um fenômeno”, resumiu Fernando Meirelles. “Em outros países, não há nenhuma [companhia] local com participação igual a deles.”

A vantagem da brasileira é evidente entre as empresas com até 170 teclados: a Totvs teria 50% deste mercado, frente 11% da SAP. Entre as grandes (com mais de 700 teclados), o quadro é inverso: a empresa de origem alemã soma 50% do share e a Totvs, 20%.

Na oferta de software de inteligência analítica a SAP leva vantagem, com 26% do mercado, seguida por Oracle (19%), Totvs (16%), Dynamics (13%), IBM (10%) e Qlik (9%).

Na disputa entre as empresas de antivírus, McAfee e Symantec lideram no setor corporativo, com 32% de participação cada. Em seguida viriam Trend Micro (10%), Avast/AVG (9%), Kaspersky (7%) e Microsoft (7%).

Entre os sistemas operacionais, a Microsoft continua reinando, com 97% da base entre os microcomputadores e 75% no caso dos servidores (aqui, a Linux ainda aparece com 16% da participação). Produtos da gigante também seguem como as mais populares ferramentas de texto (92%) e de planilha eletrônica (93%).

A empresa norte-americana também surge como líder entre os navegadores de internet, com 76% do mercado para o Explorer. “O navegador que a pessoa física mais usa é o [Google] Chrome, mas nas empresas ele só tem 17%”, afirmou Meirelles, observando, contudo, o rápido crescimento no uso da ferramenta – que detinha 14% do share há um ano. Já o Mozilla Firefox tem 6%.

Google e Microsoft também rivalizam entre as principais ferramentas de correio eletrônico – mais uma vez com vantagem para a empresa fundada por Bill Gates, que teria 74% do mercado corporativo, contra 13% do Gmail.