Publicado em

Passado o pior da crise, o mercado hoteleiro já tem perspectivas melhores para 2018. Isso, no entanto, deverá exigir, sobretudo dos independentes, a busca por formas de retomar fluxo de caixa para reformas, diminuir custos, repensar canais de vendas e investir em gestão se quiser sobreviver em um setor competitivo. Neste cenário, a Nobile lança a soft brand Ameris que promete facilitar o processo.

“Depois de uma crise de quatro anos, alguns [hotéis independentes] estão sofridos, porque não têm dinheiro para investir e renovar. Na hotelaria isso é necessário”, disse o fundador e presidente da Nobile Hotéis, Roberto Bertino durante o Fórum Brasileiro de Hoteleiros Independentes, em São Paulo.

Por isso, para retomar as margens e conseguir esse fôlego financeiro, ele destaca que é importante que os hotéis consigam poder de compra, ou seja, escala; poder de venda; padrões e procedimentos; e invistam em tecnologia e fidelização. Tanto que foram estes fatores que levaram e guiaram a Nobile na hora de lançar a sua nova soft brand para independentes. “Eles [os hotéis independentes] são líderes de mercado, mas líderes que atuam de forma isolada”, comenta Bertino.

Além de ajuda na gestão e no ganho de escala, ele cita que os hotéis independentes têm muita dificuldade de segmentar seus canais de venda. “Em alguns casos, em hotéis que convertemos para a bandeira Nobile, vimos eles nas mãos das OTAs (sigla em inglês para agência de viagens online)”, comenta.

“Deixar o inventário todo em um único lugar é um risco”, acrescentou o gerente de hotéis da Decolar, Fernando Tanaka. De acordo com ele, as OTAs trazem grandes vantagens, como força de distribuição, tecnologia e marketing online. No entanto, esses benefícios vêm com um custo superior à distribuição própria. Enquanto as vendas diretas, como o site próprio, maximizam as margens de ganho. Segundo Bertino, as taxas de comissão variam de 3% e 22%.

Desta forma, Tanaka destaca que a pulverização dos meios de distribuição online deve ser repartida para evitar uma dependência muito forte em uma única empresa. “A dependência aumenta o poder de barganha do distribuidor”, diz.

Por isso, o executivo destaca que é necessário que os hotéis façam um trabalho de consultoria para identificar o potencial dos canais para conseguir um mix “controlado”.

Do outro lado do balcão

Frente a este cenário, os operadores hoteleiros conseguiram ganhar com um movimento latente nos últimos anos: a conversão de bandeira e a busca por marca. Agora, com o lançamento da soft brand Ameris, a Nobile também pretende aproveitar a onda de quem está em busca de uma rede, sem perder a operação e a autonomia de seu hotel.

De acordo com Bertino, a necessidade de corrigir a gestão do hotel é tamanha, que a empresa espera um rápido crescimento do braço de negócios. Com receitas de hospedagem, a Nobile espera atingir faturamento de R$ 314 milhões neste ano. Com o braço de negócios novo, a hoteleira espera no primeiro ano de operação receita de R$ 100 milhões.

Em número de empreendimentos, o diretor sênior de desenvolvimento do Grupo Nobile, Rafael Guaspari, explica que para este ano a meta é chegar a 100 hotéis. Atualmente ele conta que já há várias conversas em andamento, mas assinado por ora apenas os hotéis San Diego. “Eles têm nove abertos e dois em abertura.”

Para a realização da Ameris, a Nobile firmou parceria com grandes fornecedores do setor como Desbravador, VegaIT e Visotech. Além disso, a plataforma da soft brand não exige custo fixo para o hotel e nem 100% de seu estoque, permitindo que ele mesmo regule o número de quartos que quer distribuir pelo canal.