Publicado em

A maior parte das empresas nacionais não está com a infraestrutura de TI preparada para a onda de digitalização dos negócios. Em uma escala de 0 à 100, o nível de maturidade das brasileiras seria 43,7.

A conclusão é de estudo da consultoria especializada em tecnologia IDC Brasil encomendado pela Dell EMC e Intel. Para tal, foram ouvidos 250 tomadores de decisão na compra de infraestrutura de TI em empresas com mais de 250 funcionários.

A situação mais preocupante foi verificada no comércio: o indicador da transformação de TI (ou IT², como o índice foi batizado) das empresas do setor ficou em 40,1.

O grau foi um pouco maior no caso das companhias de serviços (43,8), seguidas pelas de manufatura (44). Conforme publicado pelo DCI na semana passada, 65% da indústria brasileira não possui iniciativas nem planos de digitalização nas plantas.

Mesmo o setor financeiro – cujos investimentos em tecnologia superam a média dos demais – não foi aprovado no teste de maturidade, alcançando nota 45,2. Para o gerente de pesquisa e consultoria em infraestrutura da IDC Brasil, Pietro Delai, o “conservadorismo” de muitas financeiras frente a elementos como a nuvem (ou cloud) pressionou o resultado final.

“Se o TI da empresa não se transformar, ela também não vai. Com essa nota não dá para passar de ano”, observou o vice-presidente de soluções computacionais e redes da Dell EMC na América Latina, Marcelo Medeiros. Rebatizada após integração motivada pela compra da EMC pela Dell, a empresa provê infraestrutura para TI empresarial.

O executivo classificou a automação de processos internos que envolvem os departamentos de TI como aspecto mais defasado: as brasileiras tiraram nota 33,9 na categoria, que compõe o IT² ao lado da modernização da infraestrutura propriamente dita (nota 42) e da cultura empresarial (55,2).

Na prática

Considerado pela IDC Brasil o principal indutor de uma comunicação veloz entre empresas e departamentos de TI, a virtualização de equipamentos de rede foi considerada incipiente em frentes como redes (54% não iniciaram projetos) e armazenamento (45%).

O índice é ainda maior no caso dos desktops, com 76% das empresas sem iniciativas. Por outro lado, a virtualização de servidores só não foi iniciada por 9% das companhias.

A atualização destes elementos foi considerada por Medeiros como uma “lição de casa” necessária para companhias que pretendem apostar em tecnologias disruptivas como big data, inteligência analítica e blockchain.

Outro serviço cuja adoção não deslanchou é o chamado chargeback, através do qual áreas de negócios “faturam” serviços prestados pelo departamento de TI, estimando custos: hoje só 17% das brasileiras usam a tecnologia. “Se o departamento não tem elementos para mostrar a utilização real, fica complicado justificar o orçamento”, afirma Delai.

Também concluiu-se que 73% das empresas não têm planos de implementar ferramentas de auto-atendimento.

Gastos

Entre ouvidos pela IDC Brasil, 62% afirmaram que a maior parte dos projetos tocados pelas áreas de TI visavam a redução de gastos operacionais ao invés da inovação. Concomitantemente, apenas 19% realizam análises de retorno sobre investimento (ou ROI) em todos os projetos desenvolvidos.

Também é considerado alto o percentual de empresas que gastam mais da metade do orçamento de TI com sistemas legados – ou a infraestrutura ainda essencial no negócio, mas baseada em tecnologias defasadas ou obsoletas. Atualmente 47% das companhias gasta 60% ou mais da verba disponível com a manutenção dos sistemas legados.

“[É complicado] manter legados funcionando e ao mesmo tempo começar a trabalhar com plataformas inovadoras, mas o TI tradicional não vai levar a empresa à transformação digital”, alerta Medeiros.