Publicado em

Cerca de 80% das pessoas que procuravam informações sobre franquia, queriam abrir no ramo de alimentação, principalmente fast-food. Há três anos, o setor era líder no franchising em procura e número de lojas. Hoje, apesar de a realidade ter mudado, tendo ficado em 3º lugar no ranking de negócios fechados em 2002, atrás de setores como beleza e educação, a primeira resposta das pessoas continua sendo a mesma quando questionadas sobre qual a sua preferência."Mesmo o setor não sendo mais o primeiro no ranking de negócios realizados, ele continua no topo da preferência nacional", afirma Robinson Shiba, diretor de comunicação e marketing da Associação Brasileira de Franchising (ABF) .Em 2001, o setor de alimentação contava com 114 redes franqueadoras e mais de 4,3 mil unidades franqueadas, de acordo com a ABF. Segundo Shiba, o crescimento estimado desse ramo em 2002 foi de 6%, e ele espera avançar no mesmo patamar este ano. Isso revela um faturamento de R$ 3,6 bilhões no ano passado, ou seja, 16% da receita total do mercado de franquias no País.Há mais de três anos, o crescimento da área de alimentos franqueados, por ano, era praticamente o dobro. Mesmo amargando uma retração expressiva de seu crescimento, o setor praticamente se estabilizou e continuará nessa trajetória ascendente, segundo especialistas da área. "Alimentação é a isca do franchising. Quando se pensa em franquias, logo vem a imagem de um fast-food à cabeça", acrescenta.Para Marcelo Cherto, consultor especializado em franchising do Instituto Cherto , a prova de que as franquias de alimentos têm destaque garantido é a grande expansão das redes antigas e também das novas. Outra novidade é a acentuada participação das marcas nacionais nos mercados estrangeiros. Já em relação à atuação das internacionais no País, algumas deram certo, outras não. "As que fecharam estão voltando com fórmulas adaptadas para agradar o gosto brasileiro. Isso mostra a nossa potencialidade".Mudança de hábitoO fato de a preferência nacional ser pelas franquias de comida não impediu que o setor fosse rebaixado para terceira colocação no ranking nacional. Cherto explica que isso ocorreu porque outros setores cresceram. São os casos dos segmentos de lavanderias, beleza, escolas de Inglês e Informática, que conseguiram se firmar e mostrar ao público sua potencialidade. "Aliás, dentro do próprio ramo alimentício surgiram novos segmentos, como cafés e restaurantes de massas. Tudo isso mudou a imagem de que franquia de alimentação é fast-food", explica Cherto.Como no caso do Fran´s Café . "Para nós, 2002 foi o melhor ano em demanda de aquisição de franquias. Tivemos uma procura de 70 pessoas por mês", afirma Lupércio Fernandes de Moraes, diretor-presidente da rede. Foram 17 novas unidades abertas em 2002."Hoje, as pessoas vêem outras opções que há no mercado, além do fast-food".Contrariando o fato de que as lanchonetes perderam espaço, Flavio Maia, diretor de franquias do Bob´s , diz que a empresa passa por uma ótima fase, com 305 lojas no Brasil e previsão de chegar a 500 até 2005. Para João Augusto Penna, diretor de operações do Habib´s , há espaço para todos no mercado. "Ninguém aguenta comer lanche, pizza ou esfiha todos os dias", afirma Penna.