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São Paulo - Mudanças nas regras do leilão das sobras de 1,9 Ghz e 2,5 Ghz permitirão, pela primeira vez, que pequenos provedores participem do certame. Cabe decidir se valerá a pena substituir investimentos em fibra - alternativa encontrada para oferta de banda larga fora de grandes centros - por aportes para aquisição dos espectros.

"As mudanças vieram com atraso. Não deve haver a procura que haveria há três anos atrás", afirma o presidente da Associação Brasielira dos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Erich Rodrigues.

Segundo Rodrigues, a briga dos ISPs (do inglês internet service providers) por mais atenção no âmbito do Plano Nacional da Banda Larga é antiga. Enquanto os pedidos não eram atendidos, a solução foi apostar na alternativa fibra óptica. A decisão tornou o setor o principal demandante da tecnologia, como apontou o DCI em outubro.

Com a divulgação do edital de licitação das frequências, o cenário mudou. A criação de lotes de abrangência municipal possibilitará que interesse dos ISPs na compra dos espectros saia do papel, uma vez que a participação das grandes do setor é vedada nos lotes tipo C e que garantias mão serão exigidas. Os preços ainda poderão ser parcelados e variaram entre RS 1 mil e R$ 5 milhões.

As mudanças são bem-vindas, mas a análise de viabilidade frente à fibra deve ser o principal aspecto observado. Segundo Rodrigues, a decisão depende de "diversas variáveis, como PIB do município, tamanho e relevo". A principal deve ser a densidade demográfica. "Em regiões com residências muito espalhadas, a melhor opção será a radiofrequência", afirma Rodrigues.

Consultoria

Encontrar auxílio jurídico para reduzir riscos é o primeiro passo preconizado tanto pela Abrint quanto pela Associação Brasileira de Internet (Abranet), que também agrega provedores regionais: a partir de hoje (18) as duas vão organizar encontros com os associados para discutir a atratividade dos leilões do dia 17 de dezembro.

A paranaense Qnet Telecom é uma das que já buscam suporte jurídico. Na visão do sócio-diretor da empresa, Diógenes Ferreira, a Agência nacional de Telecomunicações (Anatel) irá se "supreender com a quantia de interessados na região". O Paraná terá quase 400 lotes a venda.

A Qnet já atende oito cidades no estado e deve concentrar seus investimentos subfaixa T do espectro de 2,5 Ghz, mais barata que a outra opção - a subfaixa U. O foco , cidades que possuam entre 15 mil e 100 mil habitantes.

"Na minha cidade matriz, com 100 mil habitantes, o preço [do lote] é RS 900 mil. Neste caso é melhor fibrar", explica Ferreira. Já em outra com 15 mil, o investimento na tecnologia óptica - orçado entre RS 200 ou 300 mil, neste caso - traria um retorno mais demorado que o gerado pela venda de banda larga via espectro.

Já o sócio-diretor da cearense Brisanet Telecomunicações, José Roberto Nogueira, afirma que o interesse dos ISPs locais pelo leilão ainda não é grande. "Poucos estão pensando nisso. Deve ser algo mais estratégico". Ainda assim, cidades com grandes áreas rurais distantes do centro urbano devem atrair interessados - até em virtude dos baixos preços.

Já em cidades um pouco maiores, a concorrência deve ser maior: segundo sondagens, a Sky é quem surge como maior interessada pelos lotes - que não terão as quatro grandes operadoras na disputa. Em evento em São Paulo na segunda-feira (16), o presidente da Nextel, Francisco Valim, afirmou que a empresa também participará da disputa, sem dar maiores detalhes, Procurada pelo DCI, a Algar Telecom afirmou que ainda "está avaliando se irá participar do leilão."