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Acontece amanhã o lançamento das ações da Lojas Renner no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Essa operação está sendo esperada pelo mercado devido à característica inédita do controlador, a americana J.C. Penny , em colocar no mercado 100% do capital da empresa. Serão ofertadas 6,25 milhões de novas ações (oferta primária) e 14,6 milhões de ações em poder do controlador (secundária). O alvo para o preço das ações está entre R$ 37 e R$ 43. Com isso, a operação pode chegar a R$ 900 milhões. As ofertas de ações até o momento somam R$ 3,4 bilhões.Esse movimento é comum em outros países, mas no Brasil apenas a Eternit não possui a figura do controlador, que detém a maioria das ações. Na Espanha, por exemplo, as empresas que passaram por processo de privatização no final da década de 1990, tiveram suas ações pulverizadas na bolsa de valores."Uma entre três famílias espanholas têm ações na bolsa", disse o vice-presidente da Associação Nacional de Investidores do Mercado de Capitais (Animec), Gregório Rodriguez, que levantou essa informação em um estudo da entidade sobre as diferenças do mercado de capitais de Brasil, Espanha, México e Chile.Rodriguez citou que no caso da Renner pode haver certa concentração de ações e um eventual acordo de acionistas para estabelecer um grupo controlador. Mesmo assim, disse que os minoritários serão respeitados, já que a companhia terá somente ações ordinárias e oferecerá tag along de 100% em caso de alienação de controle.Além do número mínimo de ações em circulação (free float de 25%) estabelecido pelo Novo Mercado da Bovespa, algumas cláusulas garantem a manutenção das ações pulverizadas. O sócio da GP Investimentos , Nelson Rozental, lembra que o caso da Submarino foi semelhante devido às cláusulas para evitar a concentração das ações.Segundo Rozental, essas práticas são adotadas no exterior, mas no Brasil ainda enfrentam resistências. A GP Investimentos fez oferta pública de 50% de seu capital na Submarino e deve colocar o restante no mercado em três anos.O caso da Eternit, cuja abertura ocorreu há cinco anos, mostra que a falta de controlador não impede um bom desempenho da companhia. "Nos cinco anos em que a Eternit está como companhia aberta, trocou a base de acionistas três vezes, mas manteve a mesma diretoria", explica o analista.Nos Estados Unidos, maioria das empresas tem suas ações pulverizadas nas Bolsas. O Presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Alfried Plöger, lembra, no entanto, que os recentes escândalos no mercado americano, como no caso da Enron, envolviam empresas sem controladores.Há uma discussão sobre a existência, no Brasil, das ações preferenciais (PN) sem direito a voto