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Com atuação em um mercado bastante pulverizado e ocupado por pequenas empresas de âmbito regional, a Luck Viagens tem conseguido se destacar no segmento de turismo receptivo por ter uma operação consolidada em quase toda a Região Nordeste do Brasil. Presente em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas e Paraíba, a Luck atua como agência de viagens e empresa de turismo receptivo - responsável por 70% de sua receita -, por meio de parcerias regionais e com operadoras de peso, como a CVC Viagens.

Fundada em 1960, a empresa aposta atualmente na diversificação do modelo de negócios, com a recente aquisição de uma franquia da rede americana Gray Line, trazida ao Brasil por um grupo carioca.

Voltada principalmente a turistas europeus e norte-americanos, cuja representação no total de passageiros atendidos pelo grupo não ultrapassa 10%, a operação da Gray Line marca o início de uma nova frente de atuação para a Luck, que vislumbra crescer até 20% em 2007. "A Gray Line é a maior empresa especializada em sightseeing [visitas a pontos turísticos] do mundo e nossa idéia é trabalhar na parte de recepção de hotéis, segmento não operado pela Luck. Abrimos a primeira franquia em abril e pretendemos trabalhar de Maceió para cima", explica Gustavo Luck, diretor do grupo.

Segundo o executivo da Luck Viagens, que congrega as empresas Luck Receptivo, Atalaia Noronha, Luck Noronha e Luck Adventure Chapada Diamantina, o investimento necessário para a abertura da franquia Gray Line não é alto. "O maior aporte é voltado para a aquisição de veículos, porque trabalhar com frotas terceirizadas é complicado, já que o ganho está justamente em ter veículo próprio", ressalta. Atualmente, a frota da Luck é integrada por mais de 80 veículos e o grupo ainda deve investir R$ 1,5 milhão no setor, neste ano.

Gustavo ainda aponta uma possível mudança na estruturação do grupo, ao citar convites que tem recebido para possibilitar a abertura de franquias da Luck Viagens, considerada, até então, apenas como hipótese. "Algumas empresas já nos procuraram para propor a abertura de franquias da Luck Receptivo nas Regiões Norte e Sul, mas primeiro estamos nos estruturando melhor, para depois pensar nisso", comenta Gustavo.

Com previsão de faturar R$ 50 milhões em 2007, a Luck tem crescido por meio de parcerias regionais. "O trabalho de receptivo é um relacionamento muito pessoal com os passageiros, então sempre nos associamos a uma empresa local. A idéia é dividir para multiplicar, é ter maior força e participação no mercado com as parcerias, consolidando a atuação no destino. A concorrência é grande no setor, o pessoal trabalha muitas vezes até com prejuízo e não sei como consegue continuar", analisa Gustavo.

De fato, a agência de turismo receptivo Check Point já tem sentido dificuldade no mercado e aposta na diversificação para manter-se no segmento. "Estamos atravessando uma fase difícil, o que está nos obrigando a negociar valores com fornecedores, principalmente em função de problemas sociais, quebra da Varig e dólar baixo. O Brasil tornou-se um país caro para o estrangeiro. Éramos especializados apenas em São Paulo, e começamos a explorar outros destinos de dois anos para cá", conta Luciano de Abreu, diretor da Check Point.

De acordo com Abreu, a empresa, que atua principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, também começou a atender o público brasileiro, para superar a crise no segmento.

Já Ivaldo Roberto Vieira, gerente da Circuito São Paulo, também especializada em turismo receptivo, tem sentido o efeito contrário. "A demanda pelo serviço receptivo tem aumentado, principalmente pelo trabalho que tem sido feito pelo São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPC&VB) e pela SPTuris", diz Vieira, que projeta crescimento de até 20% no número de turistas atendidos neste ano.

Com o objetivo de apresentar a infra-estrutura turística de destinos nacionais a operadores estrangeiros, o Ministério do Turismo, em parceria com a Brazilian Incoming Travel Organization (Bito), realizou, na semana passada, a primeira edição da Caravana Brasil 2007. Profissionais estrangeiros viajaram pelo Brasil e participam hoje, no Rio de Janeiro, do Destination Brazil Showcase (DBS), evento organizado pela Bito. Estima-se que esta edição do DBS gere US$ 220 milhões em negócios no próximo ano.