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Aos 74 anos, com mais de 50 de profissão, Francisco Madia está empolgado para reinventar o marketing no Brasil. Pioneiro na área, quando as profissões disponíveis no País eram engenharia, medicina, advocacia ou uma carreira no Banco do Brasil, ele agora quer fazer o marketing chegar ao pequeno e microempresário.

“Com o aumento da concorrência, as redes sociais e tudo mais que a internet permite, o consumidor percebeu que é uma peça principal e tudo precisa mudar no marketing das empresas”, explica, acrescentando que o grande desafio é compartilhar todo o conhecimento armazenado em mais de cinco décadas para PMEs.

Para isso, começou criando um portal onde leva informações importantes a qualquer empreendedor, mas o grande salto está sendo os acordos com clubes de empresários por todo o Brasil, que se reúnem uma vez por mês e trocam experiências.

O Madia Business Clube já mapeou 153 cidades no País que comportariam um clube desse tipo, segundo o executivo. “Identificamos quem são os líderes e começamos a treiná-los para serem consultores locais. Nosso objetivo é montar um clube por semestre e estamos construindo a porta para entrada de novos sócios pelo País, tornando o marketing mais acessível possível”, comentou ele ao DCI.

Como o objetivo é chegar até o Microempreendor Individual (MEI), tendo acesso a um grande universo empresarial do País, a ideia avançou na tentativa de viabilizar todo o processo. Para isso, foi preciso digitalizar os conteúdos, além de permitir o acesso à capacitação on-line.

“O modelo que chegamos é semelhante ao do Netflix, onde se pagaria R$ 49 por mês para ter acesso aos conteúdos. Mas, no meio do caminho, surgiu interesse de várias instituições financeiras, que também querem acessar esse universo de empreendedor. Por isso se prontificaram a patrocinar a iniciativa, o que pode ajudar a chegar quase de graça aos pequenos empresários”, explica Madia, animado com a mais nova meta alcançada.

Início da trajetória

Nascido em Bauru há 74 anos, o executivo acabou se formando em Direito pela Universidade São Francisco (USP), na década de 1960, e percebeu, ao conhecer o dia a dia de um escritório de advocacia, que definitivamente não era aquilo que gostaria de fazer pelo resto de sua vida.

Sua mãe ficou desesperada e recortava os anúncios de emprego para ele, começando assim uma busca incansável por alguma coisa que tivesse mais afinidade. Foi aí que um dos anúncios deixados por sua mãe o intrigou, porque falava de uma vaga em marketing.

Mas, lá pelo ano de 1966, o marketing como conhecemos ainda era embrionário e poucos conheciam. Algumas escolas até ofereciam um curso chamado “mercadologia”. Mas ele logo percebeu que se dependesse de alguma escola não teria futuro. Após a leitura de um livro de Peter Drucker, um dos precursores do marketing nos EUA, começou sua busca incansável por informações. “O livro se chamava Práticas de Administração de Empresas e depois dele vieram muitos outros.”

Por dois a três anos ele ia regularmente à biblioteca atrás de obras que ajudassem a desvendar os caminhos dessa nova ciência. E depois daquele anúncio recortado pela sua mãe, ele evoluiu muito e acabou sendo convidado para implantar a área de marketing em uma instituição financeira. Atuar numa corretora era um desafio e tanto, mas o sucesso acabou lhe rendendo um convite do Itaú para dirigir a área de marketing no banco.

Nessa época conseguiu mudar a forma como a instituição lidava com seus clientes, bonificando aqueles que eram fieis com as “estrelas”. “Foi aí que surgiram os clientes com três, quatro ou até cinco estrelas”, relembra. Mas um dia ele resolveu se arriscar de novo e criou sua própria empresa de consultoria em marketing e há quase 30 anos virou um empreendedor. Agora quer se renovar novamente com os clubes. “Quero ajudar novos empreendedores e compartilhar tudo que aprendi ao longo destes anos”, acrescenta.