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SÃO PAULO - Na era do mundo virtual, as empresas encontram desafios cada vez mais concretos para fidelizar clientes da nova geração Z, formada por jovens de 12 a 19 anos - hoje 18% da população brasileira. Críticos por natureza e ávidos por novidades, esses jovens são bombardeados por informações e geralmente têm problemas em se manter fiéis a empresas ou marcas. Na outra ponta, os departamentos de recursos humanos também sentem dificuldade na contratação e retenção desse público, que não se preocupa em mudar de emprego várias vezes. Por estarem menos atentos a questões como planos de carreira, eles querem na verdade empresas que lhes ofereça mais qualidade de vida.



D acordo com estudiosos em comportamento humano, fatores que influenciam a geração Z são o mundo globalizado e viverem diariamente conectados. A dependência tecnológica criou nas crianças nascidas nas últimas duas décadas características únicas, que definem a geração, diz a diretora comercial do Great Group, especializado em consultoria e gestão empresarial, Allessandra Ferreira. "São jovens altamente conectados e dinâmicos. Precisam se sentir engajados na equipe. Depende muito das empresas a ação de promover atividades para que eles possam se sentir importantes. É preciso dar-lhes espaço para a troca de ideias e envolver esses profissionais que buscam um ambiente onde se sintam integrados", comentou a expert no assunto. Allessandra ainda afirmou que a demanda de clientes (empresas) em busca de orientações com foco motivacional e de liderança tem aumentado, assim como o interesse por palestras promovidas por ela com a AlleaoLado, focada em treinamentos e coaching e braço da Great Group.



Por ter nascido em meio a uma revolução digital, a geração Z costuma se interessar por assuntos na língua da internet. E os sites têm sentido essa procura. Com 25 anos [pertencente à geração Y], o executivo Leandro Grespan, sócio-fundador da MensMarket, portal especializado na venda de produtos de beleza para homens, aponta que a preocupação com a geração Z é a de atendê-los como consumidores, além de formarem o quadro colaborativo da empresa, criada há dois anos. Por também ser uma empresa com gestores e funcionários jovens, a MensMarket tem colabores entre 18 e 19 anos. "A tecnologia está com a geração Z de uma forma muito intrínseca. Para eles, é natural falar sobre redes sociais, sobre programas. Há uma facilidade em dominar a tecnologia impressionante", avaliou Grespan.



Por atuar como e-commerce, o empresário diz que os jovens da geração Z que trabalham na empresa exercem papel fundamental com relação às redes sociais. Contudo, também são pessoas que estão entrando agora na faculdade, então têm pouco entendimento acadêmico e técnico. "Estão muito acostumados a aprender tudo mais fácil, pela internet, logo as questões técnicas são menos recebidas. Sem falar que há desafios comportamentais. Faltam as técnicas de produtividade e no mundo corporativo é complicado não ter essa postura. A eles falta foco, são dispersos e por isso precisam de válvulas de escape para extravasar."



Padrão de consumo



Com relação ao padrão de consumo dessa geração, o sócio da MensMarket aponta que eles são abertos e bem pouco convencionais. "Ao contrário. Muitos jovens romperam essas barreiras de produtos para cabelo, produtos estéticos para homens. São bem abertos para a experimentação, têm muita vontade de se destacar e de serem referência para os amigos. Isso se traduz no padrão de consumo, em como ditar tendência, em ser diferente", comentou Leandro Grespan.



Da mesma opinião compartilha Rafael Cichini, CEO da empresa Just Digital, pioneira em integração do Google Enterprise no País. "A gente entrega tecnologia, então temos um pessoal na empresa tanto da geração X, como Y e Z. Há profissionais de 19 anos e a pessoa mais velha na Just Digital tem 40 anos. Para ativar esse pessoal, nós trabalhamos com métodos ágeis. Temos uma série de ações para ter essas pessoas, para justamente engajá-las".



Conforme Cichini, e-mails, Facebook e outras redes sociais funcionam bem com esse público, mas a relação ao vivo é mais complicada por terem nascido no ambiente de tecnologia e por ficarem muito tempo "escondidos" atrás do computador. Para o CEO, o público de 12 a 19 anos, no geral, é formado por pessoas bem tímidas. "Temos um trabalho de tentar quebrar essa barreira. A ideia é fazer com que eles tentem se comunicar ao vivo. A empresa promove palestras todas as sextas-feiras, para que as pessoas comecem a tentar falar em público. A meta é criar um ambiente de aproximação, pensando em ações de engajamento, de bonificações". Segundo Cichini, a empresa criando um game, em que os jovens vão ganhar moedas para trocar por benefícios ou produtos. A proposta é montar um tipo de loja dentro da Just Digital, com itens que os colabores gostam, para criar um ambiente acessível.



"A ideia do gamefication para o público interno, clientes e consumidores tem sido experimentada fora do País. São benefícios como folga, trabalhar em casa, comprar produtos em uma lojinha que vamos organizar na empresa, tudo trocado pelas moedas ganhadas no game. Além disso, ainda teremos ranking de premiação dos três melhores em termos de eficiência. Tudo como competição saudável, tudo bem tranquilo". Camila Abud