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O mundo viu 87 milhões de pessoas afetadas pelo vazamento de dados do Facebook. Neste meio tempo, a Panera Bread admitiu que os dados dos clientes estavam vulneráveis por, pelo menos, oito meses. Isso mostra quão turbulento é o período de proteção de dados pessoais que vivendo.

A regulação de dados europeia, o GDPR (General Data Protection Regulation), entrou em maio e foca a segurança de dados de modo único. Com multas que podem abalar as bases da maioria das organizações (até 4% do faturamento global anual ou até 20 milhões euros), o GDPR força empresas a deixar suas ações mais claras e, em alguns casos, repensar a cultura para que se adequem.

Assim, a União Europeia eleva a questão a um nível de diretoria, o que põe mais responsabilidade no profissional de TI.

Claramente, para que as empresas se adequassem ao GDPR, houve muito trabalho. Resultados da Ferramenta de Avaliação GDPR da Kaspersky Lab mostraram que um quarto das organizações não conseguia identificar onde as informações pessoais sob seus cuidados estavam armazenadas. E para prevenir qualquer tipo de problema, algumas marcas enviaram enxurradas de e-mails pedindo para voltar a assinar newsletters, e "optar" por ofertas ou reenviar os dados de acordo com os termos e condições atualizados.

Mas, o quanto essa lei pode afetar a América Latina? Mesmo tendo sido criada para outra região, a lei engloba toda e qualquer empresa que colete, armazene e processe dados de cidadãos europeus, não importa onde fique a sua sede. Com isso, temos a garantia de que todos os sites e serviços digitais sejam construídos com foco na segurança online de seus clientes, reforçando a mentalidade de privacidade em primeiro lugar.

Isso nos deixa ansiosos por um futuro de dados mais saudável, onde as organizações pensem duas vezes sobre os processos que possuem de proteção sob seus cuidados, além de embutirem tal atitude nos hábitos de trabalho de cada empregado. O fato é que a legislação é parte de uma longa – e importante – jornada rumo a um relacionamento ainda mais saudável.

Esperamos que não só empresas e os cidadãos europeus, mas todos, sejam mais conscientes do valor de seus dados e de como armazená-los e processá-los.

Claudio Martinelli é diretor executivo da Kaspersky LAB para a América Latina

kasperskybrasil@jeffreygroup.com