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Prestes a completar 40 anos, 30 deles com operação no Brasil, a gigante de softwares Oracle teve que se adaptar a uma nova era. Mais conectados e inovadores, clientes da norte-americana mudaram, e ela buscou os pequenos empreendedores e startups para ter o oxigênio necessário e sobreviver neste novo mundo.

“Há dois anos iniciamos uma mudança na cultura da companhia para deixar de vender apenas ‘Lamborghinis’ para as grandes empresas e passar a oferecer soluções em nuvem que possam atender todo tipo de companhia”, explica o presidente para a América Latina, Luiz Meisler.

Segundo ele, dentro dessa nova cultura, passou a ser fundamental entender o cliente e saber qual seu propósito para oferecer a transformação necessária. “Para isso, tínhamos de nos tornar relevantes, conectando as pessoas com a tecnologia, ensinando como usar e oferecendo a possibilidade de participar dessa mudança.”

De acordo com ele, a nuvem passou a ser o grande trunfo, já que as empresas deixaram de precisar comprar uma ferramenta robusta e sofisticada para resolver problemas mais simples. Ou seja, um e-commerce, pode contratar os serviços da Oracle em nuvem e pagar apenas por aquilo que usar, de acordo com o a necessidade.

Dentro do Brasil, os planos da empresa vão em linha com essa estratégia global. Segundo o presidente da empresa no Brasil, Rodrigo Galvão, o segmento de pequenas e médias empresas já é responsável atualmente por 20% do faturamento da Oracle no Brasil, quatro vezes mais do que o registrado há dois anos. “O potencial do País é ainda mais forte, porque a adoção das novas tecnologias tem sido muito positiva”, comenta.

De acordo com ele, a perspectiva é que esse mercado represente 50% dos ganhos da empresa no País em dois anos.

Em busca da inovação

Para garantir que cada mercado tenha soluções adequadas para o perfil de empreendedor, a Oracle partiu em busca dos jovens empreendedores, criando um programa de aceleração de startups. “Percebemos que havia uma necessidade em toda a América Latina, inclusive social, de capacitar os usuários para que pudessem participar dessa mudança”, explica Meisler, que responde pela operação da empresa na região.

Com a ajuda da inovação, a empresa passou a criar ferramentas mais baratas, o que tornou o acesso aos produtos mais democrático. “Era nossa chance de chegar às PMEs.”

No Brasil o programa startups opera há dois anos e no primeiro foram mais de 500 inscrições, de onde foram selecionadas apenas seis. No segundo ano, a mesma coisa. “Elas ganham o acesso às novas tecnologias e nós, um pouco desse ‘ar fresco’”, diz Galvão, líder da companhia no País. Para atender essas empresas, parte do staff da companhia, passou a atuar em co-workings, universidades e outros ambientes fora do corporativo. “Essa renovação nos levou também a repensar a cultura de diversidade e inclusão, porque aceitar a diversidade é ‘convidar’ todos para o baile. Incluir é tirar para dançar”, comemora o diretor da Oracle na América Latina.

Na mesma linha, Galvão completa que a empresa quer tentar ser mais leve e ágil, se preparando para os novos tempos e formatos da economia e sociedade. Exemplo disso, conta o executivo, é o papel da economia compartilhada, que se torna cada vez mais forte em todo o mundo, e tem uma adesão bastante forte dentro do mercado brasileiro. De acordo com ele, esse é um dos motivos que levou a Oracle a decidir instalar em São Paulo seu mais novo projeto de Data Center da segunda geração.

O plano é que o novo espaço da companhia seja implementado até a metade do ano que vem, e será parte de um ecossistema com mais de 100 mil funcionários, 430 mil clientes, presença em mais de 175 países e faturamento anual de US$ 40 bilhões.

Da startup à gigante

A mesma computação em nuvem que ajuda startups a ter acesso às novas tecnologias, também está permitindo a gigante mundial de mineração, a brasileira Vale, a avançar em seu projeto de melhoria dos processos. Rumo à indústria 4.0, a empresa, que produz até 348,8 milhões de toneladas de minérios, esbarrava na questão da estrutura física, já que suas minas estão espalhadas por várias regiões do País, e nem sempre com estruturas locais que permitissem uso de tecnologias sofisticadas.

Segundo o gerente de projeto de TI da Vale, Daniel Pedrozo, a empresa iniciou no começo de 2018 sua migração para a nuvem e já está em 50%. “Tivemos alguns problemas de implementação, em função da complexidade, mas devemos atingir a meta deste ano.”

Para ele, a transformação digital precisa estar dentro da estratégia de qualquer empresa, e a nuvem permite maior flexibilidade e escalabilidade, impactando todo o negócio. /* A jornalista viajou aos Estados Unidos à convite da Oracle