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Com a estratégia de atender a necessidade dos consumidores brasileiros por meio do desenvolvimento de novos produtos e aquisições de empresas, a Procter & Gamble (P&G) comemora 20 anos de atuação no Brasil. Neste cenário, a empresa, que deve aumentar suas vendas acima dos 10% este ano, prevê investir R$ 50 milhões na construção de uma nova fábrica de xampus no Rio de Janeiro (RJ), a quinta da companhia no País.

Além de atender o mercado interno, a nova unidade servirá com uma plataforma de exportação para América Latina. O projeto é faturar pelo menos R$ 1 bilhão ao ano a partir da unidade carioca da empresa.

De acordo com Pedro Silva, diretor de Relações Externas da P&G, o grande desafio na chegada da empresa no País, em 1988, foi entender as necessidades dos consumidores brasileiros e adaptar os produtos para o mercado doméstico. Segundo ele, após a aquisição da perfumaria Phebo, em1988, a estratégia da companhia foi trazer produtos consolidados no mercado americano (país de origem), como o xampu Pert Plus e as fraldas descartáveis Pampers

"A partir do momento que saímos de um mercado consolidado (Estados Unidos), foi preciso adaptar os produtos para um mercado em desenvolvimento. Nossa estratégia inicial foi trazer marcas conhecidas para o Brasil. De lá pra cá, temos crescido muito no mercado brasileiro com o foco de entender e atender as necessidades dos brasileiros", afirmou Silva.

No fim da década de 80, quando iniciou seu processo de internacionalização para os países em desenvolvimento, a Procter atuava no mercado americano com mais de 70 marcas com um faturamento de US$ 17 bilhões. Mais tarde, em 1993, a companhia adquiriu as marcas de absorventes feminino Ela e Livre & Atual e passou a comercializar Hipoglós, Metamucil e Vick no Brasil.No ano passado, o faturamento global da empresa alcançou US$ 76,5 bilhões.

Silva conta, que no País os segmentos de higiene pessoal, detergentes (sabão em pó) e fraldas descartáveis são os mais representativos em termos de faturamento. "O Brasil tem suas peculiaridades de mercado e precisávamos entender isso na época. Por exemplo, o brasileiro é um dos povos que mais toma banho e lava o cabelo no mundo", destacou o executivo.

A P&G atua nos segmentos de higiene pessoal, produtos de limpeza, cosméticos, remédios e alimentos com mais de 23 marcas, com destaque para a linha Vick, as fraldas Pampers, os sabões em pó Ace e Ariel, os xampus Pert Plus e Panteme e a batatinha chips Pringles. Segundo o executivo, com a construção da nova fábrica no Rio, a empresa pretende estabelecer no Brasil uma plataforma de exportação para América Latina - as exportações representam, em média, 20% das vendas da companhia no País.

"Possuímos uma balança comercial positiva, trazemos produtos das nossas plantas no exterior, mas exportamos produtos fabricados aqui.

O que é importante é ter um mix de importações e exportações", ressaltou Pedro Silva, diretor da companhia.

A linha de escova de dente Oral B e o aparelho de barbear Prestobarba, adquiridos em 2005 com aquisição da Gillette, são exportados a partir do Brasil para mais de 80 países, segundo ele. O negócio foi um dos maiores da companhia, com o preço final batendo em US$ 54 bilhões.

Silva afirmou ainda que a empresa deve apresentar um crescimento global entre 6% a 7% em 2008, puxado pelos países emergentes, Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

"Nos países desenvolvidos devemos crescer 3%, pois já estamos estabelecidos e temos concorrentes bem colocados. Nos emergentes, devemos crescer acima de dois dígitos", concluiu o executivo.

Alta nos custos

Silva afirma que a empresa sentiu uma elevação nos preços das matérias-primas petroquímicas, utilizadas, principalmente, na fabricação de detergentes. "Existe uma pressão de custos de matéria-prima a nível global. Nós temos investindo para aumentar a nossa eficiência e reduzir ao mínimo os nossos custos para não repassar para os nossos produtos. Por outro lado, a valorização cambial ajudou a diminuir esta alta em função de grande parte das matérias-primas serem cotadas em dólar", afirmou.

No mundo

A Procter & Gamble foi criada em 1837 em Cincinnati, nos Estados Unidos, como uma pequena fábrica de sabonete e vela dos sócios - o inglês William Procter e o irlandês James Gamble. Cento e setenta e um anos depois se transformou numa potência mundial que fatura mais de US$ 76 bilhões.

18 anos de casa

Pedro Silva ingressou na Procter & Gamble no ano de 1990 e ocupou diferentes posições incluindo Produção, Logística, Planejamento de Materiais, Recursos Humanos e Marketing. Antes, trabalhou em uma companhia aérea nacional, de 1985 a 1990.

Desde 2001, Pedro Silva é o executivo responsável pelo Departamento de Relações Externas da P&G. Nascido em São Paulo no ano de 1962, é formado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA e possui pós-graduação em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

Além das atividades na P&G, Silva preside o Sindicato de Produtos de Limpeza e Afins (Sipla).

Comemorando 20 anos no Brasil, a Procter & Gamble vai investir R$ 50 milhões em uma nova fábrica no Rio de Janeiro (RJ), pretendendo faturar R$ 1 bilhão ao ano a partir dela.