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A gigante multinacional 3M, que há dez anos reinava sozinha no mercado nacional de fitas adesivas, com 95% de participação, perdeu espaço nas papelarias para empresas pequenas e médias, e hoje possui 47% do segmento. E na área industrial, que ainda domina, começa a sentir o peso de empresas como a Cremer, e a italiana Sícad.A principal vantagem da concorrência é o preço. Marcas como Adere e Adelbrás, que atualmente são líderes no segmento de papelaria, vendem produtos até 50% mais baratos que os equivalentes da 3M.Segundo Luis Eduardo Serafim, gerente de marketing da 3M, a marca vem tentando recuperar esse mercado e afirma que no ano passado, registrou 20% de crescimento em sua divisão de produtos para papelaria, e espera mais 25% em 2003, mesmo com a grande concorrência que enfrenta no setor.O gerente-comercial Vagner Giorgio, da Polifix, que produz fitas dupla face, além de formulários e etiquetas, diz que as fitas adesivas adquiriram características de commodities. A marca passou a ser atributo secundário, cedendo lugar ao preço.Outro dos concorrentes, a Day Brasil, fabrica toda a variedade de fitas adesivas, em crepe, plástico e dupla face. A empresa é líder nacional na fabricação de blanquetas para impressão offset, com 80% do mercado. A blanqueta é uma superfície revestida de borracha, que recebe a carga da matriz metálica e a imprime no papel. Eurico Neto Fernandes, gerente de produto da linha de fitas, diz que a fita transparente de polipropileno ainda é o produto mais forte. Segundo ele, o consumo em papelarias tem aumentado muito, pois é cada vez mais comum a utilização desses produtos em casa, para pequenos reparos e reformas, trabalhos escolares e pinturas. A empresa fatura R$ 26 milhões por ano, apenas com as fitas adesivas.A 3M do Brasil não terá estande no Escolar 2003. Participará apenas apresentando sua linha nos espaços de dois distribuidores. Segundo Serafim, a decisão faz parte da estratégia da empresa, que lançará novos produtos para o segmento escolar e de papelaria só em outubro.Nova ameaçaJá no fornecimento de fitas adesivas para indústrias, a 3M ainda mantém a liderança, porém começa a ser ameaçada por pequenos fabricantes e até mesmo por grupos estrangeiros.A Flextape, na região de Sorocaba, produz há quatro anos toda a linha de fitas em BOPP e PVC, para uso industrial. O gerente de vendas Jocta Torres Júnior afirma que a empresa foi construída visando o fornecimento para um ou dois clientes, mas nos últimos três meses passou a pesquisar o parque industrial, passando a fornecer diretamente suas fitas, já que antes apenas produzia para terceiros.O gerente diz que, no mercado de papelarias, a 3M atualmente não deve ultrapassar os 15% de participação, em fitas. "Fabricantes como a Adere e a Adelbrás vendem com preços lá em baixo", diz. Entretanto, dentro do consumo industrial, estima em mais de 90% a participação da multinacional americana no Estado de São Paulo, com destaque para os setores farmacêutico e alimentício. Mesmo assim, ele diz que sua empresa vem crescendo, utilizando os mesmo insumos da multinacional para produzir fitas mais baratas, sem encargos de marca e publicidade.Algumas fábricas seguem essa receita, e já crescem no segmento. A Cremer, mais conhecida por produtos na área médica, como fraldas e ataduras, também produz fitas para uso industrial, com as quais faturou R$ 20 milhões em 2002, 19,95% a mais que em 2001. A linha possui produtos de aplicação em vários setores da indústria. A empresa possui a liderança em fitas para uso na indústria de calçados, com 70% do mercado.Empresas estrangeiras, como a Sícad, também buscam esse filão. O grupo, de origem italiana, produz a marca Eurocel, e desenvolve itens específicos tanto para varejo quanto para aplicações na indústria. Segundo o diretor-comercial, Alberto Barbosa dos Santos, a empresa já desenvolve adesivos industriais, para concorrer com a 3M.Carlos Matos