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Comprometimento da renda com a compra de carros e reformas da casa. Leve aumento de empregos, mas com salários menores. Percepção de maior inflação e medo do futuro. Esses são alguns motivos para a queda de 1,5% no varejo ampliado em setembro, ante agosto. Todos sinalizam que o caminho da retomada é mais tortuoso que o previsto.

Após crescimento de 4,2% em agosto ante a julho, o resultado das vendas no varejo em setembro reportada na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) compilada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) surpreendeu até os pessimistas.

A queda de 1,5% no varejo ampliado reflete o pior mês de setembro desde o início da série história, em 2000, e movimenta a opinião de especialistas e consultores que, ouvidos pelo DCI, divergem sobre o real motivo para esse tombo inesperado.

A gerente da pesquisa do IBGE, Isabella Nunes, atribui a queda ao fato do desemprego no Brasil recuar, apoiando-se na mão de obra desvalorizada e diminuição da massa salarial das famílias. “Isso traz um impacto à medida que abre espaço para aumento da subutilização, tanto por redução quanto insuficiência de horas”, avaliou Nunes. A melhora do emprego é um quadro positivo para o País, “mas ruim para o consumo.”

Para o doutor em comportamento do consumidor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cláudio Lemos, o consumidor usa a precificação dos combustíveis e dos supermercados para tentar prever a tendência da inflação. “O fato é que os preços nos supermercados subiram após um tempo represado, e os combustíveis também tiveram reajustes, os primeiros desde maio”, enfatizou. PÁGINA 4