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O perfil do comprador de imóvel no Brasil mudou nos últimos anos. Em função da crise e da baixa no preço do metro quadrado, os investidores passaram a rever a entrada nesse mercado e, em um ano, caiu de 43% para 34% o número de pessoas que compraram com o plano de investir.

Os dados fazem parte do Raio-X FipeZap, que acompanhou a movimentação de compra e venda de imóveis ao longo do terceiro trimestre de 2018. Segundo o levantamento, entre os entrevistados que adquiriram um imóvel no último ano, saltou de 57% para 66% a fatia dos que o fizeram com o plano de morar.

“A rentabilidade do aluguel e a demora na reação dos preços de venda tiraram o apetite do investidor, que nos últimos anos apresentavam um grande interesse neste tipo de ativo”, comenta o economista e especialista em mercado imobiliário, Edson Luque Santos.

Na avaliação do especialista, um dos motivos para que o investimento não seja projetado nem no médio prazo (aqueles imóveis comprados na planta, com a perspectiva de venda na entrega) uma vez que não há sinais claros ainda de retomada nos preços no curto prazo.

O indicador da FipeZap indica que 50% dos entrevistados entendem que os preços dos imóveis ficarão estáveis, ou cairão, nos próximos 12 meses. “Só 28% esperaram uma alta média no metro quadrado, o que mostra um comportamento reativo do ponto de vista de quem compra pensando em vender”, destaca.

Descontos em alta

Outro dado apresentado no estudo divulgado hoje (29) é que a fatia dos imóveis que foram vendidos com desconto no último trimestre também subiu. Se entre abril e junho 63% das vendas foram feitas com descontos, o preço menor que o inicial foi verificado em 70% das transações realizadas no mesmo período deste ano.

“Houve uma forte pressão dos imóveis residenciais secundários, no que diz respeito ao desconto, e esse efeito cascata acaba pressionando também os imóveis novos, que precisaram rever os preços para vender”, diz Santos.

Para o presidente da imobiliária Santanna, José Augusto Santana, a prática dos descontos é uma realidade, e tem aumentado a medida em que os imóveis ficam parados por mais tempo antes da venda.

“Fazemos um plano junto com os donos dos imóveis de apresentar um desconto gradual a cada seis meses parado o imóvel, como temos anúncios aqui de mais de dois anos, alguns descontos estão na casa dos 15%”, conta ele.

Na visão do empresário, a perspectiva dos proprietários é de que os preços estão no limite do desconto. “Por isso é um desafio conseguir que uma pessoa que acaba de anunciar um imóvel aceite dar descontos”, exemplifica.

Segundo a FipeZap, 59% dos entrevistados entendem que os preços estão muito altos, e 27% que os valores cobrados estão razoáveis.

Apesar do movimento, a cifra dos que acham o preço muito alto está diminuindo, processo que, na visão do presidente da MBigucci, Milton Bigucci, sinaliza uma melhora do cenário de venda de imóveis para morar. “ Isso demonstra a volta da confiança do consumidor, que está comprando para moradia”, diz.

De acordo com ele, a empresa já verifica um aumento na busca por informações nos estandes de venda, principalmente na moradia popular. “Tanto é que acabamos de abrir uma nova empresa, a Big Tec, focada no Minha Casa Minha Vida, do grupo MBigucci”, de acordo com ele, a aposta é tão alta que a empresa está lançando nos próximos 120 dias imóveis neste perfil em Itaquera, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

Bigucci acrescenta ainda que outro fator que pode melhorar a confiança ao potencial comprador no próximo ano é a aproximação da aprovação da Lei dos Distratos, que regulamenta a devolução, “pois sem ela o mercado continuará estagnado como nos últimos anos”, finaliza o empresário.