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SÃO PAULO - O marketing de influência virou oportunidade de negócio. Para aproveitar esta onda, as startups como Squid e Digital Influencers criaram plataformas on-line para conectar empresas com influenciadores digitais.



CEO da paulistana Squid, fundada em 2014, Felipe Oliva diz que a ideia surgiu da análise do mercado. "Olhando iniciativas fora do Brasil, a gente viu que era algo bem relevante", afirma.



Após conversar com especialistas da área, Oliva e o outro fundador, Carlos Tristan, decidiram evoluir a ideia. Criaram uma plataforma com foco em microinfluenciadores, que têm entre 5 mil e 100 mil seguidores nas redes.



Dentro do software, os clientes preenchem um documento detalhando a publicidade a ser realizada, seu público-alvo e objetivo de negócio. "Uma vez especificada a campanha, a ferramenta começa a notificar os influenciadores", diz Oliva.



Caso o influenciador aceite a proposta, suas postagens são monitoradas e os números são apresentados aos clientes da Squid.



A startup tem mais de 50 mil pessoas cadastradas e mapeia as redes sociais Facebook, Instagram e Twitter.



A monetização ocorre somente em cima das empresas, por meio de cobrança de mensalidade. Apesar de não revelar o faturamento, a perspectiva para este ano é multiplicá-lo em cinco.



No mesmo segmento de atuação, o CEO da cearense Digital Influencers, Marcus Coelho, explica o que afinidade com a campanha é tudo. "A gente mostra se a pessoa [influenciador] namora, é solteira, se é formada, onde já trabalhou."



A coordenadora do ESPM Media Lab, laboratório de pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Luciana Corrêa, concorda com a seleção por afinidade. "O mais complicado é conseguir casar o posicionamento do influenciador com o da sua marca", avalia.



Outro problema que as marcas podem enfrentar com os influenciadores é a maneira como é feita a campanha. Segundo Luciana, esses famosos digitais não querem deixar de ser eles mesmos e por conta disso podem deixar de fazer tudo do jeito que a empresa quer.



Pensando na entrega da campanha, a Digital Influencers também se preocupa em proteger seus clientes. "A gente vê se o influenciador cumpriu com o número de posts e fez o combinado e, caso tenha feito, passamos o valor para ele", revela Coelho.



Porém, para realizar essa blindagem, a startup cobra uma comissão de 15% do valor pago no acordo entre as partes. Isso porque se algo não sair como o planejado, os 85% restante do dinheiro voltam para a contratante.



Além dessa cobrança, a empresa nascente também cobra uma mensalidade para utilizar a ferramenta. Os planos vão de R$ 99 a R$ 379 e variam conforme o número de influenciadores que a empresa quiser utilizar para cada campanha.



Hoje, a Digital Influencers conta com 100 empresas cadastradas em sua plataforma e garante que o crescimento médio do faturamento, que não foi revelado, é de 200% ao mês. A perspectiva é atingir 500 contratantes até o final de 2017 e 3000 influenciadores.