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A percepção negativa de estudantes (EaD) em relação ao ensino à distância está “sendo derrubada” de maneira acelerada, avalia a Kroton – que é hoje responsável por 515 mil matrículas na modalidade em território nacional.

No País, o EaD no ensino superior saltou 17,6% em 2017, atingindo 1,8 milhão de estudantes (ou 21,1% das as matrículas do País). Ao fim do segundo trimestre, as marcas Kroton (como Unopar e Anhanguera) concentravam mais de um quarto do total, além de 27,4 mil alunos na pós-graduação à distância. Em seis meses de 2018, o EaD gerou receita líquida de R$ 552,4 milhões ao grupo.

“Hoje, o ensino à distância está mais consolidado, reconhecido e discutido”, afirmou ao DCI a diretora de desenvolvimento institucional da Kroton, Gislaine Moreno. Apesar do diagnóstico positivo, alguns aspectos – como evasão, regulação e mesmo uma suposta má reputação de concorrentes – ainda exigiriam atenção redobrada.

Conforme sugerido no último demonstrativo de resultados da empresa, a facilidade para o credenciamento de polos e cursos na modalidade (instituída em maio do ano passado) estaria culminando na oferta de opções com qualidade duvidosa. “Uma coisa é ter o credenciamento do polo para a oferta de EaD; outra, muito diferente, é ter uma rede de parceiros e produtos estruturada”, afirmou o grupo educacional no documento.

“O momento é de separar o joio do trigo e mostrar que EaD não é tudo igual”, afirmou Gislaine. Em 2017, o Brasil contava com 2,1 mil cursos no segmento, ou alta de 26,8% frente os 1,6 mil oferecidos no ensino superior um ano antes.

“Com isso, muito provavelmente a qualidade dos polos pode ter caído de forma geral, mas a partir de agora o preconceito vai ser por marca”, sinalizou a diretora.

O polo é a estrutura física necessária para a instituição de ensino ofertar cursos EaD; hoje, a Kroton conta com 1.310, com boa parte deles gerida por parceiros. Antes da flexibilização das regras para a oferta dos cursos à distância, o grupo possuia 910 polos – ou 400 a menos.

Hibridez

Conforme publicado pelo DCI há um mês, a permissão para a oferta de cursos híbridos (que combinem o modelo tradicional com o ensino à distância) é uma das principais pautas do setor particular de educação superior para o próximo governo. Hoje, os cursos EaD podem ter no máximo 30% da carga horária total ofertada nos polos de maneira presencial.

Apesar de observar que Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) não têm posição definida sobre o tema, Gislaine afirma que o governo “tem dado passos importantes para a aceitação” da nova opção – que seria “interessante” para os players no mercado.

“Se houvesse o ensino híbrido, talvez [a oferta de EaD de] Medicina fosse permitida. O curso de Psicologia também seria beneficiado”, argumentou a executiva – que citou Enfermagem como exemplo de carreira onde a presencialidade já se aproxima de 50% nos cursos EaD, quando somada a carga horária no polo e o período de estágio obrigatório.

Na Kroton, os cursos à distância com carga presencial mais intensa (como alguns na área da saúde) são considerados premium. De acordo com a empresa, essa modalidade tem “mensalidades muito acima das cobradas” no EaD tradicional. Hoje, o tíquete médio para o EaD no grupo é de R$ 270,9. O valor está em linha com a média de mercado.

Evasão

Apesar da popularidade, a alta taxa de evasão no EaD ainda preocupa. “Mais importante que captar o aluno é mantê-lo”, afirmou Gislaine Moreno. “Quando ele tem menos contato com a instituição, o ambiente virtual tem que ser muito acolhedor para criar um ciclo de pertencimento e dar motivação para ele continuar até o final do curso”. Para tal, a empresa tem apostas como auxiliar a colocação profissional de estudantes.

De maneira geral, a taxa de evasão no ensino à distância e no ramo privado ultrapassa os 30%. Na Kroton, o percentual caiu de 7,1% no segundo trimestre de 2017 para 6,5% no segundo trimestre de 2018.