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Os reflexos da recessão e da crise dos combustíveis reacenderam o debate sobre a importância de uma reforma tributária no Brasil. O tema estará no centro do debate eleitoral e terá de ser enfrentado pelo presidente eleito em outubro próximo e também pelos novos governadores.

É o que avaliaram especialistas presentes ao Fórum Internacional Tributário, ontem em São Paulo. Algumas pré-candidaturas já discutem mudanças no atual sistema tributário, como a de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Manuela D’Ávila (PC do B).

O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo (Sinafresp), Glauco Honório, comenta que a insatisfação com a tributação no Brasil foi exposta durante a greve dos caminhoneiros. Em um primeiro momento, os manifestantes apenas discutiram a redução do preço dos combustíveis. Porém, ao longo do processo, debateram a formação de preços: os impostos que incidem sobre os combustíveis, qual esfera de governo é responsável pela cobrança (federal, estadual). “Os caminhoneiros foram atrás do governo federal, mas sabemos que o imposto mais importante sobre combustíveis é estadual [ICMS], com enormes diferenças de alíquotas de um estado para outro, inclusive. Caminhoneiros e sociedade começam a se apropriar do debate tributário, a tomar conhecimento. E quando isso acontece é porque a situação está grave”, ressalta Honório.

O diretor do Instituto Fiscal Independente (IFI), Rodrigo Orair, avalia que a recessão voltou a expor as desigualdades econômicas e sociais do País, incentivando o debate sobre as distorções da tributação da renda no Brasil. PÁGINA 4