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Para atender cada vez mais hóspedes, redes hoteleiras estão passando a aceitar animais de estimação e oferecendo serviços que atendam o público chamado pet friendly. O objetivo é diversificar portfólio e garantir infraestrutura adequada para receber todo perfil de cliente.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatísticas (IBGE), o Brasil conta com 65 milhões de domicílios com animais de estimação, o que representa uma grande janela de oportunidade. “O setor de hotelaria perde ao excluir clientes acompanhados de pets. O Brasil é o segundo país no ranking de população de pets, com mais de 70 milhões, o que representa um público muito grande”, avalia o gerente geral da agência Vidok Viagens, Mauricio Penteado.

De olho nessa tendência, a AccorHotels Brasil e os hotéis Transamérica de São Paulo e Ribeirão Preto passaram a aceitar animais de estimação e têm se adequado cada vez mais a receber este público.

“Nós identificamos, por meio de feedbacks a necessidade de uma infraestrutura que comporte e aceite bichinhos, pois muitas vezes as pessoas querem viajar com seus pets e não querem deixá-los sozinhos em casa”, explica o vice-presidente de operações midscale e economy da AccorHotels Brasil, Olivier Hick. Segundo o executivo, desde anunciada a mudança, observou-se uma procura grande dos hóspedes acompanhados de animais.

Ele ressalta, no entanto, que para garantir a qualidade nos serviços, as redes hoteleiras cobram taxas adicionais na diária e têm regras para a circulação dos pets nas instalações dos empreendimentos.

Hick lembra ainda que cada marca do grupo tem uma política diferente para este tipo de acomodação, e cita exemplos como o Ibis, que aceita apenas cães, mas que o Adagio Aparthotel, pode receber tanto cães quanto pássaros e gatos, por exemplo. “O Adagio Aparthotel, nossa marca na categoria midscale para longa permanência, é muito receptiva aos animais, porque as pessoas moram nos empreendimentos da marca por muitos meses.”

Para a sócia da Mapie Consultoria, Carolina Sass, o número de viajantes acompanhados de pets tem crescido a cada ano e apresenta uma tendência. No entanto, muito hotéis ainda não aceitam animais por dificuldade de operação ou por desconhecimento. “A maioria dos lugares enxerga a tendência e tem se adaptado.”

Os hotéis Transamérica de São Paulo e de Ribeirão Preto aceitam somente cães e gatos de até 12kg, com exceção de cães-guia e pessoas em tratamento psicológico. O gerente geral do Transamérica São Paulo, Osvaldo Neto, comenta que passaram a receber animais de estimação este mês e já tiveram mais de 15 reservas até o fim deste ano.

“Separamos alguns quartos do primeiro andar, tiramos o carpete e fizemos a compra de todo material (caminha, tapete higiênico, comedouros). O hóspede só precisa trazer a comida do pet. Também no jardim colocamos lixinhos para fezes e placas de onde o bichinho pode circular”, descreve.

Carolina acrescenta que não há muita dificuldade para as hospedarias se adaptarem para receber o público pet friendly: “É só uma questão de detalhes na operação, como treinar a equipe corretamente e realizar pequenas adaptações nos locais que receberão os animais”. Para ela, o mínimo é oferecer fralda higiênica, espaço, potes de alimentação, água e treinar as camareiras.

Preparando o pet

Segundo Penteado, da agência Vidok, é papel dos donos evitar estresse para o animal durante a viagem, preparando-o previamente com trabalhos de adestramento ou, se necessário, não o levar. “Um dos papéis da Vidok Pet Trip, nossa agência de viagens especializada em animais, é mostrar para o proprietário que talvez o bichinho não esteja apto para ir junto”, explica, acrescentando que esta questão não é tão levada em conta quanto deveria.

Além disso, o empresário enfatiza que é preciso, por parte das redes hoteleiras, levar em consideração o bem-estar dos pets. “Devem haver áreas que os animais possam andar livremente, adaptação de algumas instalações, além de serviços e ambientes especiais”, exemplifica.