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A oposição deu o troco no PT na CPI do Banestado, uma comissão que tomou forma de uma complexa disputa política entre os petistas e o PSDB. O governo tentou impedir, usou de todos os artifícios, mas não conseguiu evitar que o presidente da comissão, senador Antero Paes de Barros (PSDB - MT), apresentasse um relatório paralelo ao encaminhado pelo relator da CPI, o deputado petista José Mentor (PT - SP).Primeiro o presidente do Senado, José Sarney (PMDB - AP), marcou sessão no plenário na mesma hora da reunião da CPI. Com o plenário em processo de votação, nenhuma comissão pôde funcionar na Casa. Os senadores tucanos chegaram cedo ao plenário para tentar atrasar a ordem do dia para que a CPI continuasse funcionando.Na comissão, uma ação estranha. O deputado Mentor tentou, a todo o custo, atrasar a votação do próprio relatório para que a ordem do dia no plenário começasse e a sessão fosse adiada, um pedido do governo. "Eu nunca vi uma CPI em que o relator obstrui o próprio relatório", disse surpreso o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).A estratégia de Mentor estava tendo sucesso. O presidente do Senado convocou a ordem do dia, o que cessaria a reunião da Comissão. Antero, antes de suspender as discussões, distribuiu seu relatório sob protesto do petista. "Vossa excelência está sendo arbitrário. A sessão do Senado já começou e, por isso, aqui não pode ter sessão", reclamou. A resposta veio de imediato. "Vossa excelência, como deputado, sabe menos do que eu como funciona o Senado", ironizou e logo em seguida suspendeu a CPI.O relatório paralelo pede o indiciamento ao Ministério Público Federal do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, pelos crimes de evasão de divisas e contra o Sistema Financeiro Nacional. O pedido baseia-se em uma transferência feita por Meirelles de US$ 50.677,12 para a conta de um doleiro em 18 de outubro de 2002.Outros dois ex-integrantes do BC são citados no relatório. O presidente da CPI pediu o indiciamento do ex-diretor de Política Monetária Luiz Augusto Candiota pelos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, além do crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Beny Parnes, ex-diretor de Assuntos Internacionais, indicado pelo ex-presidente do BC, Armínio Fraga, teve o pedido de indiciamento por sonegação fiscal também apresentado no parecer.O relatório paralelo ainda pede o indiciamento do ex-presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, por evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e por crime contra o Sistema Financeiro Nacional.Além de todos esses, o presidente da CPI pede que seja encaminhada ao Ministério Público a documentação que comprovaria que Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, cometeu os crimes de evasão de divisas, sonegação de tributos, formação de quadrilha, peculato e improbidade administrativa.Todos esses nomes ficaram de fora do primeiro relatório, de Mentor. Antero Paes de Barros os incluiu e manteve o nome do ex-presidente do BC Gustavo Franco no relatório, mas não pediu o seu indiciamento. "Ele já está respondendo a processo. Não teria por que pedir a abertura de um novo processo", explicou.Apesar de toda a confusão de ontem, a CPI não chegou a uma conclusão. Como a ordem do dia interrompeu a reunião, o presidente quer marcar uma nova reunião no dia 27 deste mês apenas para confirmar a apresentação do relatório. Nenhum parecer seria votado, mas os dois documentos, tanto do PT quanto do PSDB, seriam remetidos ao Ministério Público. Mesmo assim, Antero e Mentor garantem que não há cheiro de pizza.O presidente da comissão, senador Arthur Virgílio, tenta marcar nova reunião para o dia 27 de dezembro