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Ainda em expansão no Brasil, o aluguel de galpões para armazenamento de objetos – também conhecido como Self Storage – tem se mostrado um mercado rentável não somente no formato B2C, mas também no modelo B2B. O ambiente pode servir também como alternativa de estoque para varejistas que procuram gastar menos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Self Storage (Asbrass), Rafael Cohen, um dos maiores benefícios dessa atividade é a utilização apenas da metragem necessária que as empresas necessitam para estoque, de acordo com a demanda, e a economia com aluguel de espaços. “Na medida que sua mercadoria começa a vender, você consegue diminuir o espaço e gastar menos. Isso é mais rentável do que alugar um espaço inteiro”, analisa.

Além disso, o especialista avalia que a economia com estoque é apenas uma das facilidades que o aluguel deste ambiente pode proporcionar aos comerciantes. “Facilitar logística das empresas também é interessante, principalmente para o comércio eletrônico. Algumas empresas utilizam até como ponto de entrega. As possibilidades são imensas”, argumenta.

Atuante no segmento de Self Storage desde 2016, a Cada Um No Seu Quadrado conta com 70% dos clientes sendo pessoas físicas e 30% sendo pessoas jurídicas. Entretanto, ainda com o formato B2B sendo minoria nos aluguéis, ele ainda representa a maior parte do faturamento da empresa. “O espaço alugado pelos varejistas aqui é bem maior que o de pessoas físicas, por isso a diferença no faturamento”, explica um dos sócios da companhia, Rafael da Fonte.

Já a GuardeAqui, também operante no mesmo segmento, tem as duas categorias equiparadas em termos de faturamento: aproximadamente 50% de pessoas jurídicas e 50% de pessoas físicas. Ainda assim, o CEO da empresa, Allan Paiotti, comenta que as últimas campanhas de divulgação atraíram um número maior de pessoas físicas, que antes desconheciam muito deste setor. “Antes das propagandas tínhamos quase o mesmo número de clientes dos dois perfis, mas agora estamos com 40% de empresas e 60% de consumidores finais”, esclarece o empresário ao DCI.

Na avaliação do consultor da Brazil Storage Partners, Francisco Canuto, pessoas físicas são mais rentáveis para as empresas de Self Storage. “A pessoa jurídica paga o menor valor e ocupa muito mais espaço, sendo que, ainda tem o fluxo diário elevado, requerendo uma equipe maior. Já a pessoa física ocupa menor espaço, porém, devido o Box ser menor, o tíquete médio e mais alto”, avalia.

No caso dos varejistas, o especialista afirma que é possível, inclusive, utilizar o local alugado como sala de reuniões e adaptá-lo com computadores para uso rápido, impressão de notas e envio de e-mails. “Esses lugares ainda oferecem vantagens como bom estacionamento para carga e descarga, região sem restrições para caminhões e controle de acesso para inibir roubos”, acrescenta, destacando as vantagens do espaço.

Mercado Imobiliário

A Asbrass atua como um braço do Sindicato da Habitação (Secovi), sendo assim, Cohen explica que, confunde-se o segmento do Self Storage como uma prestação de serviços, quando, na verdade, ele é uma atividade de locação imobiliária. “As empresas não fazem a logística das mercadorias, não são responsáveis pela manutenção do que é depositado no local, muito menos tem contato com os objetos, elas apenas ofertam o espaço para o armazenamento”, comenta.

Canuto ainda acrescenta que o segmento beneficia pessoas com imóveis ociosos: “Se uma pessoa que tem um imóvel ocioso por conta da crise tiver um investimento inicial, ela pode abrir uma empresa de Self Storage com operação simples e contratar alguém para fazer a gestão para ela.”

Ambos os especialistas acreditam que o segmento tem capacidade de crescer muito no Brasil. Segundo dados da Asbrass, o País tem hoje 148 empresas de Self Storage e, aproximadamente, 200 unidades dessas 148 companhias, espalhadas principalmente nas capitais carioca e paulistana.