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Acompanhando os resultados da indústria e do comércio, o setor de serviços apresentou desempenho fraco em fevereiro – de 0,1% frente a janeiro e queda de 2,2%, ante mesmo mês de 2017 . Este era o resultado que faltava para confirmar que o dinamismo da economia no início do ano deixou a desejar.

Na explicação do economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, para além do fraco dinamismo da economia no mês de fevereiro, que impactou o resultado de todos os setores, a recuperação do emprego também será crucial para uma retomada concreta e consistente em todos os segmentos dos serviços.

Mesmo que os índices de desemprego tenham arrefecido, o economista descreve como ainda altos, e com um perfil muito relacionado à informalidade e ocupações por conta própria, que não garantem estabilidade e confiança às famílias. “As inserções permitem uma melhora mediana, porque esse rendimento tende a ser mais baixo e mais volátil de um mês para o outro. Pode ser que isso faça com que as famílias tenham precaução para retomar os seus níveis de consumo”, destaca.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo IBGE, os serviços prestados às famílias atingiram em fevereiro queda de 5,2% ante o mesmo período de 2017. Na comparação com o mês imediatamente anterior, a redução foi de 0,8%.

A segunda atividade a apresentar a maior queda na comparação com fevereiro de 2017 foi o segmento de informação e comunicação, que teve retração de 4,9%. Na comparação com janeiro, a queda foi mais leve, de 0,6%.

“No fundo, o emprego de carteira assinada precisa avançar permitindo que os funcionários tenham maior acesso ao mercado de crédito com juros mais baixos”, diz Cagnin. Segundo ele, mesmo que o consumo de serviços não esteja relacionado ao acesso a crédito, a renegociação de dívidas atrasadas permite que as famílias tenham uma recomposição dos níveis de consumo.

Em linha com isso está a possibilidade de uma nova liberação do FGTS para quem pedir demissão. De acordo com o economista, pode afetar de forma positiva o setor, também por conta da possibilidade de pagamento de dívida. “Além disso, a dinamização da economia [advinda da liberação] pode melhorar o volume de produção das empresas e consequentemente faz com que contratem mais serviços.”

Segundo ele, a liberação pode trazer dois efeitos, uma de dinamizar a economia no curto prazo e outra de dificultar o financiamento da construção civil em médio ou longo prazo.

Em resumo, ele acredita que o ano de 2018 ainda é um período de standby. “A incerteza política vai fazer com que o processo de recuperação retarde o crescimento consistente do mercado.”

Queda de expectativa

Após o desempenho dos serviços em fevereiro – mesmo com uma base de comparação deprimida –, e o desempenho do mercado de trabalho, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revisou a projeção do indicador para o ano. De acordo com a entidade, a nova previsão é que o volume de receita do setor tenha uma variação negativa de 0,8%. A projeção anterior era de -0,2%.

“Dentre as atividades econômicas que compõem o setor produtivo, os serviços são aquelas com maior dificuldade em se recuperar após a recessão”, afirmou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes. Segundo ele, o motivo desta dificuldade é a dependência da atividade interna, que se mantém fraca. Segundo a entidade, nos últimos três anos, o setor acumulou perda de 11,8%.

Setores

No período, das cinco atividades acompanhadas pela pesquisa, apenas uma em fevereiro – ante janeiro –, apresentou resultado positivo. Os serviços profissionais, administrativos e complementares atingiram no período 1,7% de crescimento e foram responsáveis pelo resultado levemente positivo do setor na mesma base de comparação. A variação contudo não foi suficiente para recuperar a queda da atividade em janeiro (2,3%) ante dezembro.