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São Paulo - O setor de serviços segue acompanhando a desaceleração de outras atividades econômicas que pioraram desde o início do ano, segundo análise do IBGE. Em julho, a receita nominal dos serviços avançou 2,1% em relação a julho do ano passado, descontados efeitos da inflação. Foi o pior desempenho para o mês na série, iniciada em 2012.

"Os serviços estão acompanhando o processo de desaquecimento que temos observado em outros setores, principalmente indústria e comércio", afirmou o técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Renato Saldanha. Além disso, diz ele, o ajuste fiscal dos governos também teria afetado a demanda.

"A indústria é o principal demandante [de serviços], seguida do próprio governo. Na medida em que a indústria está passando por fase de desaquecimento e o governo por contenção de gastos, isso se reflete em menos contratações de serviços. São serviços de transportes, de consultoria, que normalmente são terceirizados. Todos eles sofrem uma retração em função dessa demanda desaquecida", explicou Saldanha.

A retração no poder de compra das famílias também afeta a receita dos serviços, listou o técnico. Em julho, o rendimento médio dos trabalhadores caiu 2,57% em relação a igual mês do ano passado, enquanto a massa de rendimentos habitual encolheu 3,48% no período, de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que investiga o mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do País.

Famílias

Ainda assim, o IBGE registrou ligeira melhora nos indicadores sobre serviços prestados às famílias durante o mês de julho; materiais escolares impulsionaram o resultado. A receita nominal do setor, sem descontar a inflação, teve alta de 2,5% em relação a julho do ano passado, após estabilidade em junho e queda em maio, sempre nesse tipo de comparação.

"No caso dos serviços prestados às famílias, apesar de ser uma taxa [de crescimento] ainda baixa, é um mês de férias, então tem certo aquecimento, em que pese a retração no poder de compra das famílias", detalha Saldanha. Segundo ele, mais pessoas viajaram e demandaram serviços de alimentação e alojamento em relação a meses anteriores. Houve ainda um evento de games em São Paulo, que ajudou a movimentar os serviços na região, notou o técnico.

O turismo de lazer também beneficiou o transporte aéreo, cuja receita nominal avançou 4,4% em julho ante igual mês do ano passado, o melhor resultado neste tipo de confronto desde setembro de 2014. "Houve certa retomada no turismo de lazer por causa das férias", afirmou Saldanha.

Rio de Janeiro

No estado fluminense, a receita nominal dos serviços prestados às famílias encolheu 6% ante igual julho de 2014. Trata-se da terceira retração seguida no confronto. Por ser uma queda nominal, significa que nem a alta de preços no setor (que por si só já elevaria a receita) freou o recuo.

Saldanha lembrou que a inflação dos serviços prestados às famílias é especialmente elevada no Rio de Janeiro. Já em outras regiões do País, o cenário percebido foi inverso, e as férias de fato tiveram um impacto positivo na receita nominal dos serviços prestados às famílias. São os casos de Ceará (17,3%), Bahia (9 3%) e Pernambuco (10,3%). "O turismo tem um peso muito grande no Nordeste, e são cidades mais baratas", afirmou o técnico do IBGE.