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SÃO PAULO - Na área de turismo náutico, um dos segmentos que tem surpreendido no País é o mercado de pesca esportiva. O ramo movimentou cerca de R$ 1 bilhão em 2013 e tem crescido cerca de 30% nos últimos anos, conforme o levantamento do Sebrae denominado "Estudo de Ideias de negócios para 2014". Em dez anos, quase dobrou o número de pessoas com o hábito de pescar no Brasil, passando de 4 milhões para 7,8 milhões, segundo a consultoria Ipsos | Marplan.



Nesse contexto faz sentido que as principais feiras de negócios do setor, a Pesca Trade Show 2014 e a Mariner Boat Show tenham este ano percebido aumento na área de exposição superior a 50%, sendo que o número de expositores passou de 80, no ano passado, para mais de 120. Nesta 8ª edição, os eventos serão entre os dias 3 e 6 de setembro, no Centro de Exposições do Anhembi, em São Paulo. As feiras contarão com mais de 30 mil itens para cerca de 10 mil profissionais qualificados, vindos de todas as regiões do País.



Os encontros de negócios vão contar com fabricantes e importadores de equipamentos para pesca, náutica, camping, mergulho, tiro esportivo e operadores de turismo. "E este ano, as feiras pela primeira vez serão abertas ao público. Afinal, o mercado dobrou de tamanho, sendo que há uma maior participação das classes A e B na prática esportiva", destacou o idealizador dos eventos Marcelo Claro.



Membro fundador da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe) e integrante do Grupo de Trabalho do Turismo Náutico do Ministério do Turismo, Claro ressaltou que o setor está entre as atividades de lazer mais praticadas pela população brasileira, com mais de 280 mil pescadores amadores esportivos licenciados.



Outro dado relevante, conforme o especialista, é que essa modalidade apresenta um setor produtivo grande e diversificado, diretamente ligado ao turismo, mas junto do comércio e da área de prestação de serviços. Assim, o ramo gera por volta de 200 mil empregos diretos e indiretos, incluindo as lojas de matérias de pesca, rede hoteleira especializada, gastronomia, criadores de iscas vivas, guias de pesca, condutores de embarcações, enfim, toda uma cadeia paralela de oportunidades comerciais.



"O Brasil é ainda um mercado que tem muito a crescer, ainda mais se comparado aos Estados Unidos. Lá, a pesca esportiva emprega mais trabalhadores do que a somatória da indústria automobilística e autopeças. Só a área de equipamentos de pesca movimenta entre os norte-americanos cerca de US$ 45 bilhões ao ano", afirmou Claro.



Apesar de ainda ser pequena se comparada a outras práticas esportivas como a natação ou a corrida, por exemplo, a pesca esportiva, que tem como menina dos olhos as espécies de peixes Tucunaré, Dourado e Robalo, chama a atenção do mercado. No ano passado, a consultoria Ipsos apurou que 53% das pessoas que pescam são da classe A e B, sendo que em nove mercados analisados, entre 50 milhões de brasileiros, 8 milhões têm esse hábito.



"Se projetar isso no Brasil para ¼ da população, então é possível supor que o mercado brasileiro tenha por volta de 15 mil pescadores. E geralmente são pessoas que pescam de duas a três vezes por ano, sendo 99% desse publico é adepto a pesca e solta".



Os praticantes têm a percepção de conservação do meio ambiente e do cuidado com o local para a manutenção da própria prática esportiva. "Esse cara que pesca hoje está interessado em perpetuar o esporte dele e tem um nível muito elevado".



Embarcações em alta



Parte do mercado de motores e embarcações é voltado justamente à prática de esportes náuticos e, claro, pesca seja em águas doces ou salgadas. O Brasil já contabiliza em vendas no segmento cerca de 40 mil motores de poupa por ano - sendo 80% disso para o mercado da pesca.



Na Mariner Boat Show, as novas embarcações que chegaram ao mercado devem ser atrações à parte. Há equipamentos que têm custos bem diferentes e vão desde embarcações de alumínio, até iates de 50 peças. Assim, os valores dos barcos chegam a saltar de R$ 5 mil a R$ 5 milhões na feira.



Nos outros setores, grandes empresas da cadeia produtiva devem apresentar tendências. Uma delas é a Ballyhoo Adventure, marca de roupas feita para quem pratica esportes de natureza como pesca, caminhada, montanhismo dentre outros. Ainda na área de vestuário para esportes outdoor, a Columbia, marca mundial com representantes no Brasil promete apresentar novidades.



Na área de camping, o dono da marca Coleman, que atua com barracas, está otimista com o setor, assim como as fabricantes de iscas Borboleta e Deconto.