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As residências são a grande aposta de crescimento do setor de segurança eletrônica em 2019. Mesmo que sete em cada dez empresas do segmento tenham atuado em projetos do gênero em 2018, o percentual de casas equipadas com tecnologias ainda é considerado pequeno no País.

“Existe um mercado muito grande a ser explorado na área residencial”, afirmou ao DCI a presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), Selma Migliori. Segundo ela, os domicílios brasileiros que contam com “algum tipo” de tecnologia protetiva ainda rondam os 15%; em mercados mais maduros a situação seria inversa, com 80% das casas já equipadas.

Por outro lado, sinais de uma maior relevância para o segmento domiciliar foram emitidos ao longo deste ano. “Em 2018, 69% das prestadoras de serviços trabalharam em projetos residenciais”, afirmou Selma. “Há uma mudança no cenário”.

Segundo a dirigente, tal movimento é causado por diferentes fatores. Um deles seria o “sentimento de insegurança do brasileiro nos últimos anos”. Em paralelo, “o desenvolvimento da indústria nacional” estaria permitindo o lançamento de produtos “mais adequados e acessíveis para projetos menores.”

O surgimento de novas soluções deve seguir como uma das marcas do segmento de segurança eletrônica em 2019: segundo a Abese, 95% das empresas do setor pretendem lançar produtos ao longo do próximo ano, sejam eles soluções voltadas para a área residencial ou para o mercado em geral. “Isso é importante porque mostra que acreditamos em um crescimento ainda maior para 2019”, sinalizou a presidente da Abese.

A estimativa da entidade é encerrar 2018 com cerca de R$ 6,5 bilhões em movimentação de mercado, frente R$ 6,04 bilhões um ano antes.

Parcerias

“Hoje a área corporativa ainda domina [a carteira de clientes do setor]”, prosseguiu Selma. De acordo com a dirigente, o reconhecimento facial desponta como uma das principais demandas de empresas para o próximo ano. Outros pontos de destaque são portarias remotas, mobilidade e inteligência artificial.

No caso do segmento público, o principal interesse seria uma atualização de equipamentos preparados para a comunicação na nuvem. “Isso está no planejamento orçamentário de quase todas as cidades”, afirmou Selma.

A Abese, contudo, vislumbra uma convergência entre os segmentos público e corporativo para os próximos anos: a própria entidade está “estimulando que grandes empreendimentos como shoppings e hospitais” implementem tecnologias que possam “colaborar com órgãos públicos.”

“A ideia é que eles implantem tecnologias [como câmeras IP] não só internamente, mas também nos entornos”, explicou Selma. Em São Paulo (SP), um projeto piloto de colaboração já estaria em curso, contando com a participação do Hospital das Clínicas e do shopping Eldorado.

Outra tendência que tem movimentando o mercado de sistemas de segurança eletrônica é o crescimento do número de prestadores de serviços – que já seriam 75% das empresas do mercado. “O salto em 2018 foi muito grande”, afirmou a presidente da Abese.

“Vale ressaltar que um dos motivos para isso é a falta de barreiras de entrada”, pontuou Selma – mostrando certa preocupação com a qualidade do serviço de empresas com oferta baseada em baixo custo. “Nesse segmento, o barato pode sair caro no futuro.”

Segundo a dirigente, a aprovação do Estatuto da Segurança Privada poderia resolver a questão ao definir garantias e critérios como capital social mínimo para a atividade. “A lei já passou pela Câmara e por comissões do Senado. Só falta a assinatura do presidente [da Casa, Eunício Oliveira] para seguir para sanção.”