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São Paulo - As small cells, como são chamadas antenas de transmissão para telefonia móvel de menor porte, não poderão ser usadas como base para a cobertura da internet de quarta geração (4G) no Brasil. A estrutura era considerada pelo governo federal a base para expansão da banda larga em todo o País.

A cobertura precisará ser feita pelas macro cells, que possuem transmissores de longo alcance. A convicção é unânime entre os fabricantes e principais fornecedores da cadeia de telecomunicações no mundo inteiro, como as gigantes multinacionais Nokia, Alcatel Lucent e Ericsson.

Juntas, elas produzem equipamentos necessários para a emissão do sinal de dados e voz, nas frequências de segunda (2G), terceira (3G) e quarta geração de internet (4G).

Segundo as informações apuradas pelo DCI, o atual sistema de cobertura da telefonia móvel no País é feito por meio de aparelhos transmissores de longo alcance (as macro cells).

Essa células transmissoras projetam o sinal para vários quilômetros quadrados de forma circular, alcançando assim sinal para todos os lados em um ângulo de 360 graus.

Limpeza do 4G

Havia a expectativa do governo federal, via ministério das comunicações, que as small cells acelerassem o processo de limpeza do espectro e cobertura do 4G até 2018 na frequência de 700 MHz, o que pode custar até R$ 3,6 bilhões. Isso representa menos de 10% dos R$ 50 bilhões estimados pelo governo para universalização da banda larga.

Em meio ao leilão do 4G - ocorrido em setembro - o chefe da pasta, Paulo Bernardo, afirmou que as small cells seriam estratégicas, já que não haveria condições ou tempo de "atravessar fibra ótica em todo o País" e uma porção do território será coberta sem fio.

Isso, levando-se em consideração que os equipamentos menores são mais baratos e fáceis de instalar. Assim, o cronograma, segundo o raciocínio do governo, seria acelerado por conta de todas as vantagens do aparelho menor.

Porém, segundo os players que abastecem o parque de transmissores e antenas das teles, o papel que equipamentos como esse desempenham é outro. A transmissão baseada no modelo "small" (pequeno, em inglês), não serve de base, mas de complemento à emissão do sinal, seja em 3G ou na internet ultrarápida, também chamada de LTE (Evolução de Longo Prazo, em inglês). Segundo os fabricantes, as small cells irradiam com alcance limitado e direcionado. A vantagem de operar as antenas menores é o valor do equipamento, significativamente menor, na comparação com uma macro cell. O prazo de implantação é mais um fator apontado como positivo, já que a instalação é imediata.

Implantação e uso

As transmissões feitas a partir de uma small cell, podem ser implementadas em algumas horas, como explica o diretor da Nokia no Brasil, Abdallah Harati. Ele dá como exemplo um dos modelos de aplicação do equipamento, classificado como indoor, ou seja, feito para equipar ambientes internos. "Uma small cell indoor é de tamanho pouco maior que o modem ou roteador que as pessoas têm em casa", explica

Segundo Harati, a aplicação indoor pode servir aplicações específicas. No modelo residencial, por exemplo, as small cells são indicadas para regiões densas e repleta de edifícios, por conta da expansão do mercado imobiliário residencial e corporativo. Em casos assim, cada edifício representa um obstáculo para o sinal, distribuído prioritariamente naquela localidade pela macro cell.

A aplicação da célula menor na mesma região pode servir como um emissor de sinal complementar, que ajude o sinal macro a cobrir áreas, bloqueadas pelas edificações.

A mesma exemplificação serve para ambientes públicos, porém, a necessidade não advém da interferência de edifícios, mas sim por conta da alta densidade de pessoas que esses locais registram em determinados períodos. No caso de shopping centers, uma superpopulação de celulares lota a região em horário comercial.

Em aeroportos, o movimento tem horários estendidos, isso em casos nos quais o aeroporto funciona 24 horas por dia, o que agrava a demanda. Em estádios, a demanda durante jogos ou espetáculos musicais, que agrupam milhares de pessoas, a small cell ajudam, não permitindo a queda de sinal aos visitantes, ou aos moradores do entorno, impactados pelo evento no local.

Em todos os casos, a instalação de uma small cell indoor é feita de forma rápida e sem a necessidade de grandes estruturas físicas, como aponta Abdallah Haruti. "Com dois parafusos, um cabo de rede como o utilizado em qualquer modem e sinal pode ser intensificado".

Cobertura outdoor

Para a cobertura de small cells em ambientes externos, a demanda também se subdivide. Na aplicação urbana, como na antena de uso interno, a antena de uso externo, complementa o sinal de uma macro cell, mas por ter um estrutura um pouco maior que a par interna, a célula outdoor pode servir não a um ou dois, mas a diversos edifícios numa mesma região que sofram do mesmo bloqueio de sinal imposto por edificações, do macro sinal. No ambiente rural a aplicação da tecnologia pode ser servir para reforçar o sinal, em áreas que não tem bloqueios impostos por edifícios, mas em contrapartida dispõe de um longo território para ser coberto, exigindo estrutura capaz de suprir longas distâncias.

No entanto, mesmo com acesso a tecnologias avançadas como as novas antenas, não é possível conseguir uma serventia eficiente da estrutura, se o fornecimento de rede for de má qualidade, como conta o diretor de wireless da Alcatel-Lucent Brasil, Esteban Diazgranados. "Para operar uma estrutura sem fio, seja macro cell, small cell indoor ou small cell outdoor, você precisa de um bom sinal de rede, o que chamamos de Back Hall", afirma. A gerente de mobile brodband da Ericsson para América Latina, Magarete Iramina, concorda com a opinião. Ela diz que toda a infraestrutura apoiada pelo small cell depende de redes robustas. "Cada etapa deve cumprir sua parte. A rede deve ser robusta para entregar a internet de alta velocidade, e a antena, por sua vez, precisa ter capacidade de entregar todo esse sinal para os aparelhos conectados à rede", conclui.