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(Texto atualizado em 29/11 para correção de informação: A Deezer soma 12 milhões de usuários em 180 países e não 110 milhões, como informado anteriormente. E a empresa não divulga o consumo médio do usuário brasileiro, como apresentado na versão anterior da matéria. Segue abaixo a íntegra corrigida.)



São Paulo - Responsável por movimentar US$ 90 milhões anuais, o mercado de streaming musical ainda está restrito a menos de 5% da população brasileira de acordo com números fornecidos pela Deezer, vice-líder do segmento no País.



O percentual é maior nos Estados Unidos ou no Reino Unido, onde mais de 10% da população usa o serviço. Na França - terra natal do Deezer - a penetração é de 7%, de acordo com estimativa da empresa. O mercado francês é um dos únicos onde a plataforma já dá lucro, ao contrário do Brasil (onde a empresa está desde 2013). "Isso depende de escala e massificação. Não é algo que acontece da noite para o dia", afirmou o diretor-geral da Deezer no Brasil, Bruno Vieira, pontuando que há expectativa de breakevens em novos países em dois anos.



A empresa não abre o número de usuários por região (em 180 países eles soma 12 milhões), mas garante que o mercado brasileiro é o terceiro mais relevante em número de usuários mensais ativos. Se em termos gerais a empresa ainda se considera a terceira no segmento (atrás da líder Spotify e da Apple Music), por aqui a Deezer ocupa o segundo posto. "A distância [para o Spotify] no Brasil não é tão significativa quanto em nível internacional, segundo o que a gente ouve das gravadoras", afirmou o diretor de marketing da empresa, Rafael Morettini.



Ainda assim, condicionantes como a instabilidade dos serviços de internet móvel, o poder de consumo baixo de parcela da população e sobretudo a resistência de boa parte dos brasileiros ante meios de pagamento on-line têm impedido saltos maiores. "Tentamos alternativas como pagamento via boleto ou cartão pré-pago, mas precisamos de alguma coisa [mais forte]", afirmou Bruno Vieira.



"A parceria com telcos é importante em um mercado onde o meio de pagamento ainda é limitador", prosseguiu o executivo. Em nível global, a Deezer já estabeleceu vínculos com cerca de 45 operadoras de telecomunicações, com destaque para a conterrânea Orange. No Brasil, a empresa anda lado a lado com a TIM, que inclui licenças gratuitas do serviço em parte do planos, além de navegação patrocinada (ou zero rating). Segundo Morettini, "quase metade" dos usuários premium da Deezer no País entraram na base a partir da parceira de telecomunicações - que reembolsa para a plataforma o custo das assinaturas.



Por ser exclusiva, a parceria com a TIM impede que a Deezer busque outros parceiros brasileiros de telecom, mas outros setores também são alternativas na massificação. A lista inclui clubes de futebol (em 2017 a empresa se tornou player oficial do popular clube carioca Flamengo após firmar pactos semelhantes com potências como Barcelona e Manchester United lá fora), donas de assistentes virtuais (o Deezer já roda dentro do Google Home) e fabricantes de televisores (licenças gratuitas são ofertadas ao lado de certos televisores da Samsung) ou de carros (que podem acoplar uma versão do aplicativo em suas centrais multimídia). "As pessoas ouvem muita música durante os deslocamentos", justificou Vieira a respeito da última "porta de entrada".



O próximo passo, indica a empresa, deve ser a aproximação com grandes festivais de música. Morettini não confirmou a informação, mas deu a entender ao DCI que a Deezer pode ser o player oficial de um dos eventos sediados pelo Brasil ano que vem.



Direitos autorais



Segundo o Deezer a indústria fonográfica brasileira movimentou US$ 229 milhões em 2016, dos quais 49% já seriam oriundos de canais digitais. O serviços de streaming foram os grandes responsáveis por essa parcela, com US$ 90 milhões de um montante de aproximadamente US$ 112 milhões.



Por outro lado, pelo menos 70% das receitas do Deezer (que também inclui publicidade) são consumidas pelo pagamento de direitos autorais para gravadoras e editoras. No momento a empresa está efetuando alterações na mecânica que rege tais repasses: a intenção é impedir que a atuação de robôs gere distorções nos valores finais.