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SÃO PAULO - Com foco em um segmento de mercado ainda pouco explorado no Brasil, a startup Logmax, de Belo Horizonte, desenvolveu um software que se propõe a agilizar os processos de transporte de cargas na malha ferroviária brasileira.

O sistema, que completa dois anos em 2017, funciona com três elementos: um computador de bordo instalado na locomotiva, um módulo de atuação localizado no pátio ferroviário e uma antena de rádio, responsável por canalizar a frequência do sinal entre os aparelhos.

Por meio da comunicação via sinais de radiofrequência entre o computador de bordo e o módulo de atuação, o software desenvolvido pela Logmax informa a localização em tempo real da carga, o período de permanência dos vagões nos pátios ferroviários, o andamento das manobras de anexação e as movimentações nas áreas de embarque e desembarque. Tais informações ficam disponíveis na plataforma on-line da Logmax.

“Geralmente as empresas que usam o transporte ferroviário têm muito volume de cargas e, devido a isso, precisam ter alguma plataforma para auxiliar na gestão e controle do tempo dessas operações”, diz Fábio Rodrigues, CEO da startup. Segundo o empreendedor, o custo para contratar o serviço depende do volume de vagões que serão monitorados.

Companhias com demanda para esse tipo de serviço para 300 vagões pagam uma mensalidade de R$ 7 mil; aquelas com fluxo ferroviário de 300 a 600 carros desembolsam R$ 9 mil. Clientes com exigência para mais de 600 veículos arcam com custo mensal de R$ 12 mil.

Para o especialista da Vantine Consultoria Logística, José Geraldo Vantine, oferecer uma ferramenta para o segmento ferroviário pode ser um diferencial, tendo em vista que esse nicho, no Brasil, ainda é pouco explorado.

“Se existissem mais ofertas de transporte ferroviário, o uso de softwares como o da Logmax daria uma redução de 50% no custo do transporte”, afirma Vantine. Ele ainda ressalta a importância da “sincronia” entre o tempo que a locomotiva demora para chegar a um porto e o período de espera do navio. 

De acordo com Rodrigues, os investimentos recebidos pela startup desde que entrou em operação foram fundamentais para o desenvolvimento da empresa. A partir da participação no programa de pré-aceleração Lemonade, em 2016, o negócio conseguiu captar R$ 80 mil provenientes da gestora de fundos Fundepar. 

Atualmente, a startup está no programa de aceleração da FiemgLab, conduzido pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), e presta serviços para seis empresas, de segmentos como agricultura, siderurgia e indústria de transformação. Segundo o empreendedor, até o fim do processo, o negócio receberá até R$ 130 mil da aceleradora.