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SÃO PAULO - Você sabe o que é um beacon? Esse hardware, desenvolvido inicialmente pela Apple, em 2013, como iBeacon, transmite informações para computadores, tablets e smartphones via Bluetooth 4.0. A startup brasileira TagPoint utiliza esse sistema para que estabelecimentos comerciais atinjam com precisão e ofertas personalizadas o público-alvo que circula próximo a eles, por meio de um aplicativo em que o usuário configura o conteúdo que quer receber.



Para se conectar com um beacon, o celular precisa ter um aplicativo que permite que ambos fiquem pareados. O smartphone detecta o dispositivo e permite o acesso à sua localização e o envio de dados por Bluetooth 4.0, ou 'Bluetooth Low Energy' (BLE, na sigla em inglês). Esta versão mais recente da tecnologia - criada em 2009 - tem maior alcance e menor consumo de bateria em relação às anteriores.



A empresa, sediada em Porto Alegre (RS), desenvolveu uma plataforma em que os comerciantes podem configurar o conteúdo que querem divulgar. O beacon puxa essas informações e as envia para o smartphone de qualquer usuário que tenha o aplicativo da TagPoint dentro de um raio de 70 metros do local. O usuário que tem o aplicativo configura no smartphone os assuntos que o interessam, para ser informado sempre que passar perto de algo relacionado a esses temas,  



A startup já existe há três anos e trabalhava com projetos ligados a interatividade. A entrada no mercado de beacons aconteceu em janeiro de 2015. Segundo o CEO Victor Loreto, o faturamento referente aos últimos 18 meses atingiu R$ 14 milhões.



De acordo com o empreendedor, a startup já tem negócios em mais de 70 países além do Brasil. Segundo ele, sete mil estabelecimentos pagam a mensalidade de R$ 100 para utilizar o sistema, e o número de usuários que baixaram o aplicativo está em torno de 100 mil.



O negócio começou com recursos próprios e, agora, os sócios estudam abrir a possibilidade da entrada de empresas parceiras para captar investimentos. A previsão é faturar R$ 20 milhões nos próximos 12 meses.



Proximidade 



Como a tecnologia é baseada no envio de informações para quem está próximo do beacon, lojas de varejo, restaurantes e até museus podem contratar o serviço. "No nosso plano de assinatura está incluso o beacon, adaptado com nosso sistema, e a plataforma personalizada, para que eles gerenciem seus conteúdos", explica.



Ao entrar no raio de alcance, o usuário visualiza algo semelhante a um feed do Facebook. Ali aparecem todos os locais que têm beacon, de acordo com seus interesses.



O estabelecimento pode ter mais de uma unidade do hardware, transmitindo também informações mais específicas de cada área. "Um museu, por exemplo, pode instalar um beacon com informações de determinada obra e definir um raio menor. Ao se aproximar de um quadro, o usuário recebe nome, autor, data e tudo mais que o gerenciador do conteúdo quiser divulgar", explica Loreto.



O hardware também pode realizar outras funções em uma loja, por exemplo. O dispositivo consegue fazer leituras de quanto tempo um cliente ficou dentro do estabelecimento, por quais seções passou e em qual ficou mais tempo. "Desse modo, é possível fazer um estudo sobre seu público-alvo e suas preferências", diz.



De acordo com ele, o projeto já vem sendo pensado há dez anos. "Essa ideia estava incubada, pois ainda não tínhamos a tecnologia necessária. Começamos o desenvolvimento em 2014, junto com a fabricante de beacons no Brasil", diz, sem revelar o nome da companhia, "Hoje temos contrato de exclusividade com eles e somos certificados para venda", afirma.



A TagPoint instalou mais de 50 beacons no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro. A proposta era torná-lo o primeiro 'estádio inteligente' do País, O teste em um  na final do Campeonato Brasileiro de 2015. A proposta era transformar o local no primeiro . O sistema foi inaugurado em um jogo entre Botafogo (RJ) e Santa Cruz (PE), válido pelo Campeonato Brasileiro. O teste deu certo, mas o projeto foi descontinuado porque depois o local foi interditado pela prefeitura do Rio por problemas estruturais. 



Origem e perspectiva



Segundo o professor Eduardo Simões, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, o Bluetooth originalmente foi concebido como um meio de comunicação, para mouses, teclados e headphones.



"Com o tempo, as pessoas perceberam que ele poderia ser usado para fazer muitas outras coisas, e conseguiram reprogramá-lo para funcionar como beacon", explica. Em sua opinião, pelo seu fácil manuseio, essa aplicação da tecnologia deve ganhar espaço no Brasil nos próximos anos, junto com a Internet das Coisas.