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SÃO PAULO - De um lado, uma necessidade da indústria alimentícia: escoar produtos perto da data de validade para evitar perdas. De outro, uma oportunidade: o consumidor que pode se interessar por alimentos mais baratos para consumo imediato. No meio do caminho, o varejo. Para ligar essas pontas e trabalhar a sustentabilidade surgem startups como a NDays e a SavedFood.

A perda de alimentos é um problema global: de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o volume desperdiçado é de 1,3 bilhão de toneladas por ano, um terço do total produzido. O estudo mostra que “os consumidores não planejam suas compras, compram em excesso ou reagem exageradamente às datas de validade”. Para atuar neste último ponto, os empreendedores oferecem soluções para a indústria e descontos para o consumidor.

Apesar de não ter histórico na indústria alimentícia, Paulo Teixeira queria ter um negócio com impacto social. “Observei o grande desperdício que era causado por conta do vencimento dos produtos e tive a ideia de criar o NDays”, conta.

Com pouco menos de um ano de operação, Teixeira diz que já investiu mais de R$ 1 milhão no negócio, principalmente na equipe, composta por 12 pessoas, e em um centro de distribuição em São Paulo.

O NDays faz a venda de produtos que estão para vencer de indústrias para mercados de nicho. “Alguns produtos têm validade de três meses, já na indústria o prazo de validade pode ser um ano ou 24 meses, então varia”, diz o empreendedor.

Além das vendas B2B, entre indústrias, mercadinhos e lanchonetes, o NDays também tem parceiros para venda direta ao consumidor final. De acordo com Teixeira, a startup reúne mais de 100 parceiros ativos e uma média de 20 mil produtos cadastrados. “Para os clientes no primeiro mês chegamos a recuperar 30% do desperdício”, afirma.

Entre as varejistas que anunciam os produtos reunidos pela NDays, a maior é a rede Extra, por meio de seus minimercados.

Há casos em que o NDays pega os produtos dos lojistas após a venda. Ainda assim, é a própria startup quem costuma fazer a entrega, que abrange todo o País.

Um exemplo é A HTPro, que produz suplementos para o mercado esportivo. De acordo com o gestor de mercado online, Fernando Marques, a empresa conseguiu rentabilizar um produto que está apto para o consumo até o dia exato do vencimento.

A política da HTPro é incinerar os produtos vencidos. Para evitar o desperdício e escoar os suplementos próximos da data de validade, a companhia faz o envio para o centro de distribuição da NDays, que cuida de todo o processo da venda e logística.

Sabendo a data de validade e os descontos oferecidos, o consumidor acessa o site da startup e compra os alimentos como se estivessem no e-commerce de um supermercado convencional.

Foco em pequenos lojistas

No mesmo ramo de atuação, ou seja, comercializar itens perto da data de vencimento, a SavedFood tem foco em clientes corporativos. “O tíquete médio do consumidor final é baixo, então vamos focar em restaurantes, padarias, bares e supermercados”, diz Thiago Mendes, um dos fundadores da plataforma.

Por fazer a conexão entre indústrias e comerciantes, a startup vai contar com a própria logística das indústrias. Deste modo, não será responsável pelo frete dos produtos.

O aplicativo deve ser lançado no início de 2018 e vai atuar somente em Belo Horizonte na etapa inicial. Os empreendedores planejam entrar nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro nos meses seguintes.