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Cada vez mais as empresas estão permitindo que funcionários que viajam a trabalho dêem uma “esticadinha” em sua estada para ter um tempo de lazer. Cerca de 30% dos executivos aproveitam o chamado “bleisure”, como mostra levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp).

Para o presidente do conselho de administração da Abracorp, Carlos Prado, não é comum as instituições cobrirem os gastos dos colaboradores durante a extensão, mas permitir “folgas” por alguns dias pode trazer benefícios para ambos os lados. “Estamos em uma curva crescente desta prática e percebemos que muitas empresas, principalmente em viagens mais longas, optam por autorizar o bleisure.”

Além disso, o especialista enfatiza que são poucos os cargos que se encaixam no perfil de viajantes: “Normalmente são as posições de maior responsabilidade as enviadas para tratarem de assuntos externos, mas isso vai depender também da política da empresa.”

Um estudo desenvolvido pela Amadeus, empresa global de tecnologia para o turismo com passageiros do Brasil, concluiu que 97% dos viajantes aproveitam a viagem a trabalho para realizar pelo menos uma atividade de lazer, seja visitar uma atração turística ou fazer compras. Diferente do número indicado pela Abracorp (30%), a porcentagem não diz respeito somente à extensão da viagem.

“A pesquisa veio a confirmar algo que o mercado de viagens já vem identificando informalmente há algum tempo. Faz parte do perfil do brasileiro aproveitar as oportunidades para curtir além das obrigações laborais. Isso reflete uma maior abertura nas políticas corporativas e também se configura em oportunidade para agências e fornecedores”, afirmou, por meio de nota, o diretor comercial da Amadeus Brasil, Paulo Rezende.

Embora seja benéfico para ambas as partes, algumas empresas ainda precisam tomar medidas de cautela para evitar a confusão de gastos pessoais do funcionário com os gastos corporativos. Para o CEO Latam da WEX, gestora de meios de pagamentos empresariais, José Roberto Kracochansky, isso ainda acontece pela dificuldade na distinção entre o período de viagem a trabalho e a lazer no momento do pagamento das despesas. Para evitar os custos exacerbados, Prado explica que as companhias estabelecem políticas para o bleisure. “É bom deixar claro o benefício e as responsabilidades de ambas as partes por meio de políticas bem definidas com o setor de compliance”, acrescenta.

Oportunidades

Apesar de o estudo da Amadeus ter identificado uma forte tendência entre os viajantes corporativos brasileiros, também apontou que as agências ainda subaproveitam o potencial lucrativo do bleisure: 48% dos brasileiros buscam informações e reservas da parte turística de suas viagens corporativas com a própria agência que efetivou a compra pela companhia.

“As agências precisam trabalhar com as empresas para determinar um programa claro de ajuda ao viajante bleisuree, e as corporações também têm o papel de estabelecer regras claras para que o viajante se sinta seguro de estar atuando dentro da política da empresa”, argumenta Rezende.

Para Prado, é necessário que as agências tenham flexibilização na ferramenta de reservas para os viajantes adicionarem diárias e possam fazer isso também com o cartão deles. “Percebemos um crescimento deste formato e uma oportunidade para as gestoras de viagens. “Este número (30%) já é grande e acreditamos que nos próximos cinco anos chegaremos nos 65%”, analisa, acrescentando que o Brasil conta com menos de 60 agências especializadas só em viagens corporativas e cerca de 2000 que também trabalham com isto.