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Com novos nichos de atuação, perfis mais variados de clientes e necessidade de explorar novos mercados, o turismo de luxo cresce a passos largos no mundo. No Brasil, tendências como ecoturismo de alto padrão e viagens que misturem negócios e lazer ganham cada vez mais espaço para este seleto público.

Para a PhD em economia e professora assistente de gestão estratégica e empreendedorismo na Ecole Hôtelière de Lausanne (EHL), Margarita Cruz, à medida que o interesse pelo turismo sobe, o significado da hospitalidade de alto padrão muda.

De acordo com ela, a livre associação de que o turismo de luxo é apenas salas “opulentas e suntuosas com itens caros”, e que isso basta para que o hóspede se sinta especial não faz mais sentido. ”Hoje o luxo é um estilo de vida e, portanto, os hotéis estão se ajustando para atender novas expectativas. O novo luxo tem como objetivo oferecer experiências inesquecíveis e conectar o hóspede com o destino local”, contou a executiva ao DCI.

Nesse contexto da “experiência inesquecível”, ela conta que a América Latina tem chamado cada vez mais atenção de investidores deste segmento. Exemplo disso é que, segundo dados da consultoria Euromonitor, somente no Brasil, a receita dos hotéis de luxo avançaram 80% entre 2012 e 2017. A especialista lembra ainda que, apesar de toda turbulência econômica e política, o Brasil ainda é interessante para os players do mercado de luxo, dada a infraestrutura e relativa estabilidade em comparação com outras regiões. “Com uma receita crescente neste segmento, o País ainda atrai redes de hotéis de luxo como a Six Senses e Banyan Tree.”

Destinos em potencial

Ainda que o eixo Rio-São Paulo apresente melhores condições de infraestrutura e um número grande de hotéis cinco estrelas, são as regiões mais afastadas que contam com um maior potencial. “O turista de luxo prefere hotéis com destinos reclusos com cozinha requintada, equipe de classe mundial e paisagens de tirar o fôlego”, detalha Margarita, ressaltando que isto também incita o hóspede a gastar mais dentro do hotel e não exija, necessariamente, uma ampla infraestrutura na cidade.

Polo do turismo de negócios, São Paulo pode ganhar mais relevância com o que ela define como “bleisure”, termo que se refere a uma combinação de negócios e lazer. “Ter uma oferta rica de experiências únicas e infraestrutura sólida podem tornar uma viagem de negócios o começo de um estada de lazer mais exclusiva com a família e os amigos.”

Outra tendência apontada por ela é o ecoturismo de luxo. Como a busca por maior contato com a natureza também atinge o alto luxo, os destinos brasileiros que ofereçam este tipo de experiência se destacam. “As acomodações de hotel eco-luxo podem oferecer experiências diferenciadas com excelentes serviços de hospitalidade para atender demandas do hóspede de luxo.”

Uma fatia deste bolo

Enquanto cresce a atenção de investidores internacionais para o turismo de luxo no Brasil, quem já opera por aqui corre para não ficar para trás. Exemplo disso é o Grupo diRoma, que atua no Centro-Oeste e anunciou no mês passado a reforma de duas unidades com custos que girarão em torno de R$ 4 milhões. Segundo o superintendente do diRoma, Aparecido Sparapani, a empresa também investirá cerca de R$ 35 milhões em um novo hotel, em Caldas Novas (MG), para atender o mercado de luxo.

Com opções de quartos de alto luxo, o Grand Hotel Rayon, em Curitiba (PR), foi reaberto neste mês após um ano fechado. O empreendimento volta a ser comandado pelo fundador do espaço, Douglas Borcath, e recebeu investimento de R$ 6 milhões. A administração do hotel é da Nobile, que aposta na oferta de serviços e comércios de luxo em Curitiba para garantir opções de boas experiências ao cliente.