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Não apenas a recessão econômica e a queda no número de beneficiários de planos de saúde impulsionaram o crescimento das clínicas populares. Uma demanda inesperada, mas que tem se mostrado representativa, é o de pessoas que ainda têm convênio. Hoje quase um terço deles usa, ou já usou uma clínica particular.

Segundo um levantamento da CVA Solutions, dos 6.419 beneficiários de planos de saúde pesquisados, 31,2% apontaram ter feito consulta ou exame em uma clínica popular, nos últimos 12 meses.

Entre as principais motivações encontradas entre os usuários estão a agilidade do agendamento e do atendimento, com quase metade das respostas (48,7%). Seguido da localização próxima (42,2%), preço acessível (32,4%) e qualidade (21,8%).

“É uma questão de conveniência e agilidade no atendimento”, afirmou ao DCI o sócio-diretor da CVA Solutions, Sandro Cimatti.

Segundo ele, a busca por alternativas ao plano está relacionada a um dos principais problemas do convênio citados pelos respondentes: a demora ou a burocracia em agendar consultas. Esta foi a principal queixa de 20,7% das pessoas entrevistas em 2016 e 22,7% neste ano.

Não apenas o atendimento particular foi usado como alternativa. Segundo a pesquisa, 52% dos respondentes utilizou o Sistema Único de Saúde (SUS). O número está levemente menor que o de 2016, quando 55,9% dos usuários de plano haviam buscado o serviço. “Há casos em que é necessário, porque o plano não dá a cobertura de algo ou porque precisou ser atendido após um acidente, mas também muitas vezes é por conveniência ou rapidez.”

Essa morosidade no atendimento, de acordo com ele, não gera apenas insatisfação com o plano, como também provoca um aumento de custos, seja porque as operadoras de saúde são obrigadas a ressarcir o SUS, ou porque o paciente acaba optando pelo Pronto Socorro (PS) para ter um atendimento mais ágil. “A estrutura é mais cara e são feitos exames às vezes sem necessidade.”

Custo X Benefício

Na pesquisa da CVA deste ano, os planos de saúde também tiveram um saldo de migração maior, indo de 72,9% para 77,2%. Na opinião de Cimatti, isso tem a ver com o bolso mais apertado do brasileiro. “Mesmo que os planos coletivos empresariais representem a maior parte – 66,83% no primeiro trimestre –, os planos com participação mensal do beneficiário ou coparticipação aumentaram muito”, explica.

Para ele, a coparticipação é positiva, porque ajuda na conscientização do uso do plano e evita desperdícios, contudo, é evidente que afeta a satisfação do usuário, sobretudo se for alta. “Nos últimos anos a renda não cresceu ou aumentou muito pouco, enquanto os reajustes dos planos tiveram dois dígitos de alta. O plano ficou mais oneroso.”

De acordo com ele, a escalada de custos na saúde é alta, por isso dois caminhos que podem ajudar na sustentabilidade do setor são a contenção dos desperdícios e o outro é incentivando a população a não ficar doente. “A fórmula para isso é a felicidade. Parece utópico, mas vimos na pesquisa que quem tem hábitos mais saudáveis e atitudes positivas ficam menos doente”, diz.

Muitos planos de saúde já oferecem programas de saúde, mas segundo Cimatti, poucos conseguem comunicar ao beneficiário sobre esse tipo de benefício. “É mais difícil porque a maioria dos planos é empresarial, mas falta gestão da saúde do usuário final. É preciso criar um modo para conseguir fazer isso”, conclui.