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São Paulo - Nos idos de 1999, bem antes do surgimento da moda da sustentabilidade, um grupo catarinense começava a se questionar como poderia fazer para desenvolver uma enorme região no entorno da cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis.



Para quebrar o conceito de subúrbio ou região dormitório, já que está a 15 quilômetros do centro de Florianópolis, o grupo preferiu não lotear aleatoriamente a enorme fazenda, de 250 hectares. Mas, sim, criar um grande projeto imobiliário que mudasse o perfil da região. O pontapé inicial foi a doação de uma grande área, na região central, para uma atividade que se tornaria a "âncora" do local, a educação. Assim, a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) foi instalada no local, abrindo as portas para uma Cidade Universitária. A partir dela, então, começou a ser criado o novo complexo imobiliário, que ganhou o nome de Pedra Branca, Cidade Criativa. "Nos 10 anos seguintes, a urbanização que cresceu em volta do empreendimento foi feita com qualidade", explica Marcelo Gomes, diretor da Pedra Branca S.A., empresa responsável pelo projeto.



10 anos



Passada uma década, a empresa, porém, sentiu a necessidade de ir além. Fora do País buscou alternativas e se deparou com um novo movimento de urbanismo sustentável que se aplicava perfeitamente a forma como o empreendimento foi estabelecido. No centro da metodologia, estava a questão da revitalização das cidades, defendendo a criação de um local onde se possa morar, trabalhar, estudar e se divertir. Tudo a poucos passos.



"Cerca de 50 anos depois da criação de Brasília, onde tudo é compartimentado, trouxemos um projeto que defendida que as cidades não podem ser tão divididas", explica Gomes.



E assim tudo foi repensado, com o centro do bairro passando a contar com uma ampla alameda de comércio e serviços para os então 4 mil moradores e cerca de 5 mil alunos da universidade.



"Redesenhamos o projeto pensando a longo prazo, incluindo saneamento, iluminação e tratamento de resíduos", acrescenta o executivo.



Hoje, a cidade de Pedra Branca só registra, por exemplo, 12% de perda na rede de água, enquanto a média no País é de quase 50%, segundo Gomes. Toda a iluminação, tanto interna quanto externa já é feita de LED, para economizar energia. Além disso, cerca de 40% do lixo coletado no empreendimento já é tratado.



Certificação



Com as mudanças, a cidade já recebeu a certificação Liderança em Energia e Design Ambiental, mais conhecida como LEED. "Essas mudanças todas nos ajudaram a ser escolhidos pela Fundação Clinton como um projeto urbano e produtivo com boas soluções para redução de gás carbônico. O único escolhido na América do Sul."



Hoje, Pedra Branca já conta com 9 mil moradores, mais 7 mil alunos da Unisul e outros 7 mil trabalhadores e o plano é chegar a 40 mil moradores e 30 mil trabalhadores até 2020.



"Nosso desafio agora é, além da sustentabilidade, criar um ambiente propício para a convivência urbana que gerem encontros para troca de ideias, que levem a negócios e a inovação", acrescenta.



Para isso, além da área de comércio e serviços, também serão incluídos hotéis e um instituto de inovação tecnológica para atrair empresas ao novo "Parque Tecnológico de Pedra Branca".



"Queremos que startups se instalem aqui e que desenvolva um grande polo criativo, assim como acontece no Vale do Silício, nos Estados Unidos", afirma Gomes.



Eclético



Dentro desse conceito, os imóveis também procuram ser o mais eclético possíveis, com apartamentos de 1 dormitório até os de 3 ou 4 dormitórios. "Só não temos um projeto como o Minha Casa, mas na região entorno já tem, o que garante a diversidade", diz.



Por todas as medidas tomadas nos 1,7 milhão de metros quadrados, a Cidade de Pedra Branca agora já começa a pleitear reduções de taxas, com a criação do "IPTU Verde".



"Como o poder público economiza com tantas medidas que tomamos aqui, nada mais justo que haja uma redução nos impostos na região. Por isso, estamos trabalhando nesse novo projeto", afirma o diretor.