Saiba por que as novelas de Manoel Carlos tinham uma Helena

O novelista morreu aos 92 anos

A morte de Manoel Carlos hoje, 10 de janeiro, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, encerra uma era da TV. O autor de grandes sucessos tinha um habito: suas protagonistas se chamavam Helena, e quase sempre tinham o Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, como pano de fundo. Mas por que?

Por que toda novela do Manoel Carlos tem uma Helena?

Diferentemente do que muitos imaginam, o nome não foi uma homenagem a nenhuma mulher real da vida do autor. Manoel Carlos explicou a escolha no especial “Tributo a Manoel Carlos”, lançado no Globoplay em celebração aos seus 91 anos.

“As pessoas realmente têm muita curiosidade de saber. Dizem: ‘foi sua mãe, uma irmã, uma namorada, uma primeira mulher’. Nada disso. Helena é apenas um nome que eu acho mais apropriado a um personagem do que a uma pessoa real”, afirmou.

Segundo ele, a inspiração veio da mitologia grega. “Talvez porque eu sempre gostei de mitologia. A Helena mitológica é fantástica. Aquela história da Helena de Tróia – uma mulher raptada, casada com o raptor, divorciada, que voltou a viver com o marido depois de se separar dele… Tudo isso me deu uma magia muito interessante, que me cativou muito”, explicou.

Manoel Carlos também nunca escondeu que suas Helenas costumavam ser infelizes no amor, carregando conflitos internos e, muitas vezes, um lado sombrio guardado a sete chaves. Segundo o autor, escrever sobre mulheres era quase um caminho natural.

“Sempre achei – e continuo achando – que a mulher move o mundo. Na mulher está tudo. É mais fácil pra mim escrever sobre mulheres porque as mulheres falam as coisas. O homem não confessa que é traído. A mulher reúne as amigas, diz que o marido tem uma amante, e choram todas juntas”, disse em depoimento exibido no especial.

Essas mulheres ocuparam o centro de novelas como História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família.

A primeira Helena surgiu em Baila Comigo (1981), interpretada por Lilian Lemmertz. Nos anos 1990 e 2000, Regina Duarte se consolidou como o rosto mais associado à personagem ao viver Helena em História de Amor (1995), Por Amor (1997) e Páginas da Vida (2006), em três momentos distintos da carreira e da maturidade feminina.

Em Laços de Família (2000), foi a vez de Vera Fischer encarnar uma Helena intensa, sensual e emocionalmente exposta. Já em Mulheres Apaixonadas (2003), Christiane Torloni viveu uma protagonista moderna, dividida entre o amor do passado e as escolhas do presente.

Em Viver a Vida (2009), Taís Araújo entrou para a história como a primeira Helena negra do autor, simbolizando uma atualização do arquétipo. Por fim, em Em Família (2014), Julia Lemmertz interpretou uma Helena mais introspectiva, marcada por silêncios, memórias e amores interrompidos. Juntas, essas atrizes ajudaram a transformar Helena em um dos personagens mais emblemáticos da história da televisão brasileira.

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