Após o Esporte Espetacular, a Temperatura Máxima hoje, domingo, dia 1 de fevereiro, vai exibir a ação Homem-Aranha: Longe de Casa. Protagonizado por Tom Hollander e Zendaya, a exibição começa às 13h (de Brasília).
Qual o filme da Temperatura Máxima?
Homem-Aranha: Longe de Casa nasceu com uma missão ingrata. Precisava dar sequência direta a Vingadores: Ultimato, funcionar como continuação do leve e bem-humorado De Volta ao Lar, se destacar em um mercado saturado de filmes do herói e, de quebra, ajudar a manter o interesse do público no MCU após a saída de seus principais personagens. A tarefa parecia grande demais — mas o diretor Jon Watts e sua equipe conseguem, em grande parte, cumprir o desafio, mesmo tropeçando aqui e ali.
O maior acerto do filme está no cuidado com os personagens. As relações são bem construídas, o desenvolvimento é claro e as atuações sustentam a narrativa. Tom Holland reforça por que é um dos Homens-Aranha mais carismáticos do cinema: seu Peter Parker é imaturo, inseguro e carente de referências adultas, mas também genuíno e fácil de reconhecer. Ele só quer curtir as férias e se declarar para a garota por quem é apaixonado, mas o mundo — e Nick Fury — insistem em lembrá-lo de que responsabilidades não entram em recesso. Dessa tensão surgem cenas engraçadas e outras surpreendentemente emotivas, numa versão exagerada, mas muito identificável, dos dilemas da adolescência.
Jake Gyllenhaal também se destaca como Quentin Beck, o Mysterio. Mesmo para quem conhece o personagem dos quadrinhos, sua atuação prende a atenção. Antes da virada, ele aposta na contenção; depois, abraça o exagero com precisão. O resultado é um vilão mais interessante do que o esperado e que ainda funciona como comentário irônico sobre o próprio gênero dos super-heróis. É uma das performances mais marcantes do ator em grandes produções recentes.
Zendaya, por sua vez, ganha espaço para consolidar uma MJ bem diferente das versões anteriores do cinema. Aqui, ela deixa de ser apenas a observadora sarcástica para se tornar uma adolescente estranha, inteligente e sensível, longe do estereótipo de interesse amoroso. A química desajeitada com Tom Holland funciona tão bem que, em alguns momentos, dá vontade de assistir apenas a essa história crescer sem interrupções.
O elenco de apoio mantém o ritmo leve. Jacob Batalon diverte como Ned, Tony Revolori segue eficiente como Flash Thompson, e professores vividos por JB Smoove e Martin Starr ajudam a sustentar o humor da viagem escolar pela Europa. O filme também acerta ao mostrar, com ironia, como pessoas comuns lidam com os efeitos do estalo de Thanos, equilibrando piadas com pequenas lembranças de que as consequências ainda estão ali.
Nem tudo funciona o tempo todo. Apesar das boas cenas de ação — algumas das melhores do Homem-Aranha em live-action —, há momentos em que o tom de comédia adolescente e o peso do universo de super-heróis não se encaixam perfeitamente. Certas situações parecem forçadas para mover a trama adiante, como um conflito específico envolvendo drones, que poderia ter sido apresentado de forma mais direta e eficiente.
Ainda assim, Homem-Aranha: Longe de Casa acerta ao capturar o dilema central do personagem: tentar conciliar uma vida normal com responsabilidades extraordinárias — e falhar repetidas vezes nesse equilíbrio. Mesmo menos coeso do que outras versões recentes do herói, o filme entrega uma jornada satisfatória de amadurecimento e deixa claro o recado do MCU: o futuro continua em movimento. Vale a sessão.
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