Se você é frequentador da Lapa ou um entusiasta da baixa gastronomia paulistana, sabe que o “dogão” por ali tem nome, sobrenome e uma tradição que atravessa décadas. Com mais de 60 anos de história, o Hot Dog do Seu Angelo é muito mais que um carrinho de lanche: é um patrimônio do bairro de São Paulo que resiste ao tempo apostando no básico bem feito e no lendário purê de batata caseiro.
A história começou em 1963, quando Angelo Meneghesso estacionou seu primeiro carrinho perto da estação de trem da Lapa. De lá para cá, o negócio mudou de endereço, ganhou paredes de alvenaria na Viela Ema Angelo Murari e hoje vive um processo de expansão sob o comando da segunda e terceira gerações da família.
Diferentemente das versões gourmetizadas que brotam pela cidade, o Seu Angelo mantém o pé no chão. Com a partida do patriarca em 2020, o filho Marcos, de 50 anos, e o neto Rafael, de 23, guardam a sete chaves a receita do sucesso.
O carro-chefe ainda é o tradicional pão francês, que é reposto a todo momento para garantir a crocância, uma ou duas salsichas cozidas em um caldo de pimentão com temperos especiais, e o famoso purê de batatas caseiro. Para fechar, o trio clássico de maionese, ketchup e mostarda, além de um molho de pimenta da casa que é o xodó da clientela.
A modernização chegou, mas sem atropelar o passado. Recentemente, a família abriu uma segunda unidade na Praça Cívica. Ali, o cardápio ganhou reforços para atrair a “Nova Geração”, incluindo itens como vinagrete, batata palha e até pão baguete.
Quem inventou o cachorro-quente?
Os cachorros-quentes existem há muito tempo, e talvez há muito mais tempo do que você imagina. A salsicha, ingrediente principal, está entre as formas mais antigas de alimento processado, aparecendo até mesmo na Odisseia de Homero. As origens do cachorro-quente remontam à Alemanha, onde as salsichas já eram um alimento básico antes de atravessarem o Atlântico.
A história tem dois principais candidatos: as salsichas de Frankfurt e as salsichas vienenses – estas últimas afirmam que a palavra “wiener” é a prova viva da origem do cachorro-quente, enquanto as primeiras comemoraram o 500º aniversário do cachorro-quente na cidade de Frankfurt. Por volta de 1800, imigrantes alemães levaram sua experiência na fabricação de salsichas para a América. Um relato afirma que um imigrante alemão vendia salsichas dachshund em pães com chucrute e pão de leite em um carrinho de mão no bairro Bowery, em Nova York. Em 1871, Charles Feltman, um padeiro germano-americano, começou a vender salsichas em pães em Coney Island, Nova York, vendendo mais de 3.600 no primeiro ano de funcionamento — despertando o amor dos americanos por cachorros-quentes.
A origem do termo “cachorro-quente” é controversa, mas frequentemente atribuída ao cartunista esportivo do New York Journal, Tad Dorgan, que desenhou uma salsicha em formato de dachshund dentro de um pão em 1901. O problema? Esse desenho nunca foi encontrado. Outra teoria sugere que a origem esteja nos cães da raça dachshund dos imigrantes alemães. De acordo com Bruce Kraig, historiador e professor de cachorro-quente na Universidade Roosevelt, em Illinois, o termo “cachorro-quente” provavelmente se refere aos cães longos e finos dos alemães.