Um incêndio atingiu o prédio histórico da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, região central de São Paulo, na noite desta quinta-feira, 26 de fevereiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo teria começado por volta das 22h20.
De acordo com a corporação, as chamas tiveram início após uma falha no sistema de ar-condicionado no terceiro andar do edifício. Ao todo, dez viaturas foram deslocadas para combater o fogo e evitar que ele se espalhasse por outras alas da tradicional “Sanfran”.
- Localização: o foco se concentrou no terceiro pavimento do prédio.
- Causa do incêndio: problemas técnicos no ar-condicionado.
- Vítimas: até o momento, não há registro de feridos.
- Combate: equipes trabalharam no rescaldo durante a noite para garantir a segurança da estrutura.
O prédio da Faculdade de Direito é um dos mais emblemáticos do centro da capital paulista. Ainda não há detalhes sobre a extensão dos danos ao patrimônio ou se o acervo da faculdade foi atingido.
História do prédio da Sanfran
O incêndio desta quinta-feira não atingiu apenas uma estrutura de concreto, mas um dos capítulos mais importantes da história política e arquitetônica do Brasil. O atual edifício da Faculdade de Direito da USP, embora pareça secular, foi erguido na década de 1930, em meio ao turbilhão da Revolução Constitucionalista e à era Getúlio Vargas.
Antes do prédio atual, os alunos — que formaram gerações de presidentes e poetas — estudavam em um antigo convento do século XVII, feito de taipa. Foi só em 1935 que a velha estrutura veio abaixo para dar lugar ao projeto do escritório do renomado Ramos de Azevedo, sob o comando do arquiteto Ricardo Severo.
O prédio é uma das maiores expressões do estilo neocolonial no país. Ricardo Severo quis fugir da simplicidade das construções paulistas e buscou inspiração no barroco mineiro, com curvas, medalhões de bronze e ornamentações luxuosas.
- As Arcadas: Símbolo máximo da faculdade, foram reconstruídas em concreto armado para manter a tradição do pátio interno.
- O Relógio da Fachada: Sobrevivente de uma reforma de 1883, ele foi mantido no novo projeto e segue como um marco visual do Largo São Francisco.
- Túmulo de Júlio Frank: O local preserva o túmulo do fundador da “Buchschaft” (sociedade secreta acadêmica), um dos poucos sepultamentos permitidos dentro de um prédio civil no Brasil.
- Biblioteca Histórica: Com a modernização na década de 30, o espaço ganhou iluminação noturna para democratizar o acesso ao estudo — ironicamente, o setor de ar-condicionado próximo a áreas de acervo costuma ser uma preocupação constante de segurança.
Desde 2002, o conjunto é tombado pelo Condephaat. A resolução de tombamento destaca que a faculdade não é apenas uma escola, mas um “marco histórico de extrema importância para a história cultural do país”.
Até o fechamento desta reportagem, a direção da faculdade e os órgãos de patrimônio ainda avaliavam se as chamas no terceiro andar comprometeram elementos originais do mobiliário do Liceu de Artes e Ofícios ou os vitrais históricos da escadaria.