Por que Nicolas Maduro foi capturado pelos EUA?

A captura sem precedentes de Nicolás Maduro por Trump ocorre após meses de campanha militar e anos de relações tensas

A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos rompe um limite histórico nas relações internacionais e inaugura um cenário de forte instabilidade política na América Latina. A operação, confirmada por Donald Trump na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, resultou na retirada de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, do território venezuelano após ataques militares em Caracas.

Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump passou a tratar Maduro como inimigo prioritário. O governo americano acusa o presidente venezuelano de envolvimento direto com tráfico internacional de drogas, imigração ilegal e ações consideradas desestabilizadoras no continente.

Em julho, os EUA anunciaram uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à captura de Maduro, classificado por Washington como um dos principais líderes do narcotráfico global. Gangues venezuelanas, como o Tren de Aragua, também passaram a ser tratadas oficialmente como organizações terroristas.

Desde setembro, os Estados Unidos vinham ampliando sua presença militar nas proximidades da Venezuela. A Marinha americana concentrou navios na costa do país, apreendeu petroleiros venezuelanos e realizou ataques a embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico no Caribe e no Pacífico.

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Por que Maduro foi preso?

A informação é que a detenção de Nicolás Maduro está diretamente ligada a acusações criminais que tramitam há anos na Justiça dos Estados Unidos. Em 2020, o Departamento de Justiça americano apresentou denúncias formais contra o presidente venezuelano e integrantes do alto escalão do regime por tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e narcoterrorismo.

De acordo com promotores federais da Flórida e de Nova York, onde os processos foram abertos, o governo venezuelano teria conspirado, desde o início do mandato de Hugo Chávez em 1999, com a guerrilha colombiana das FARC para enviar toneladas de cocaína aos Estados Unidos. As acusações apontam que estruturas do Estado venezuelano teriam sido usadas para facilitar o tráfico internacional de drogas.

Neste sábado, a procuradora-geral Pam Bondi anunciou que Cilia Flores também foi formalmente indiciada no Distrito Sul de Nova York. Segundo ela, Maduro responde por conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para o uso dessas armas contra os Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, Bondi afirmou que o casal será julgado em solo americano.

Relação histórica de tensão

As relações entre Estados Unidos e Venezuela se deterioraram a partir de 1999, com a chegada de Hugo Chávez ao poder. De perfil socialista e discurso anti-imperialista, Chávez se opôs publicamente às ações militares americanas no Afeganistão e no Iraque e se aproximou de países como Cuba e Irã.

Após a morte de Chávez, em 2013, Maduro assumiu a presidência e aprofundou o isolamento internacional do país. Em 2019, os EUA reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, ao classificarem o governo Maduro como ilegítimo.

Em 2024, a oposição afirmou que Maduro perdeu as eleições presidenciais. Dados divulgados por adversários do regime e analisados por observadores independentes indicaram vitória de Edmundo González, mas o presidente permaneceu no poder após uma repressão violenta contra protestos e opositores.

O que pode acontecer agora

Mesmo com a prisão de Maduro, o cenário interno da Venezuela segue indefinido. O ministro da Defesa convocou a população a resistir ao que chamou de “invasão estrangeira” e afirmou que as Forças Armadas permanecem leais ao regime.

Ainda não está claro se a operação americana marca o início de um conflito mais amplo ou se foi uma ação pontual. Líderes da oposição pedem apoio internacional para uma transição política, enquanto analistas alertam para o risco de caos prolongado, disputas internas pelo poder e uma nova onda de refugiados.

“Haveria um período de instabilidade profunda, sem uma saída clara”, afirmou Douglas Farah, especialista em América Latina que participou de simulações militares sobre um possível colapso do regime venezuelano.

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