Veja o que Lula fala sobre Venezuela após ataque dos EUA de Trump
Presidente diz a ação ultrapassa a linha do aceitável
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou na manhã deste sábado, 3 de janeiro, sobre os ataques dos Estados Unidos è Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Lula crítica ataque contra a Venezuela
Através de suas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou o ataque e diz que os Estados Unidos cometeram “afronta gravíssima”. Confira o texto na íntegra.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.
A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.
A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.
Veja a linha do tempo da relação EUA x Venezuela
Uma cronologia das relações EUA-Venezuela desde a ascensão de Chávez ao poder.
1999 – Chávez assume o cargo: Hugo Chávez é eleito presidente com uma plataforma anti-imperialista e lança a chamada Revolução Bolivariana. Reformas constitucionais e a nacionalização do setor petrolífero rapidamente tensionam as relações com Washington.
Anos 2000 – Escalada e hostilidade: As relações se deterioram à medida que Chávez fortalece os laços com a Rússia, a China e o Irã. A Venezuela expulsa ONGs e diplomatas apoiados pelos EUA, enquanto os EUA acusam Caracas de autoritarismo e restrições à mídia.
2002 – Tentativa de golpe: Um golpe de curta duração depõe Chávez por 48 horas. A Venezuela acusa os EUA de apoiarem o complô, alegação negada por Washington, consolidando uma desconfiança duradoura.
2013 – Maduro ascende ao poder: Após a morte de Chávez, Nicolás Maduro vence a presidência por uma pequena margem de votos. Seu mandato começa em meio à recessão econômica e ao agravamento das relações com os EUA.
2014–15 – Primeiras grandes sanções dos EUA: Os EUA impõem sanções e restrições de visto a autoridades venezuelanas devido a preocupações com os direitos humanos, agravando a tensão econômica.
2017–19 – A crise econômica se intensifica: Washington bloqueia o acesso da Venezuela aos mercados financeiros e endurece as sanções ao petróleo em meio à hiperinflação.
2018 – Reeleição contestada: A reeleição de Maduro é amplamente contestada. O opositor Juan Guaidó se autoproclama presidente interino, obtendo o apoio dos EUA.
2024 – Votação contestada: Maduro vence uma eleição contestada contra Edmundo González. A ONU e diversos governos questionam os resultados.
2025 – Nova escalada: Após retornar ao cargo, o presidente Donald Trump intensifica a pressão sobre a Venezuela, revertendo os esforços anteriores de engajamento dos EUA sob a gestão de Joe Biden.