Calçados de nicho avançam com clientes esquecidos pelas redes

Com opções de calçados pouco encontrados em lojas comuns e unindo operações físicas e virtuais, varejistas se destacam no setor.

São Paulo – Frente a um mercado de alta concorrência e fragilizado pela crise, os lojistas focados em calçados precisaram se reinventar para atravessar a recessão. Apostando na experiência do cliente e em nichos pouco atendidos, empresários projetam crescimento de até 30% neste ano, muito acima do previsto para o mercado de calçados tradicional. “As pessoas estão buscando uma experiência de compra. Quanto mais especialista o calçadista for, é mais fácil atingir esse público”, contou ao DCI o diretor-executivo da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Wesley Barbosa. Segundo o executivo, o setor como um todo apresentou retração de 16% nas vendas ano passado, e a previsão para este ano é ficar no mesmo patamar visto em 2016.

Nesse segmento, a maior parte das empresas surgiu em virtude da necessidade própria dos empreendedores. Tânia Gomes, fundadora da 33e34, é um exemplo. “Em 2011 eu queria uma sandália para o ano novo e não achei de maneira alguma, fui obrigada a comprar o modelo infantil.” Depois de pesquisar sobre o mercado, Tânia notou a carência de produtos para mulheres como ela, que calçam números pequenos e inaugurou em 2014 a empresa que vende apenas modelos femininos de números pequenos. Inicialmente vendendo calçados apenas em e-commerce, a marca se expandiu para o mundo off-line e conta com uma loja em São Paulo. Hoje, Tânia comercializa mais de 350 modelos de 16 marcas, inclusive uma própria. Embora tenha observado um tíquete médio menor neste ano, a proprietária da 33e34 acredita que vai dobrar de tamanho, superando os R$ 3 milhões em faturamento ao longo de 2017.

Calçados de nicho a passos largos

Do outro lado, focado no público masculino e com numeração alta, surgiu a Sapato Grande. Os irmãos Antônio e Marcio Figueiredo observaram a falta de inovação para esse público. “Poucas lojas trabalham com números maiores que 44. Muitas vezes não tem o modelo desejado ou é mais caro”, explica Antônio. Apesar de ter criado a loja virtual há cerca de quatro meses, os sócios revelam que o retorno é positivo e projetam 500 pedidos mensais até o final do ano. De acordo com Antônio, o diálogo com os fabricantes possibilitou alguns modelos exclusivos para a Sapato Grande.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

CalçadosCom atuação há mais de 70 anos, a Eurico Calçados observou cedo a oportunidade em atender uma demanda até então esquecida. Desde a década de 1940 a loja atua com números grandes por conta de uma oportunidade observada pelo patriarca da família. “Meu avô, Eurico, tentou exportar um lote de calçados em 1944 e não deu certo, aí ele mesmo vendeu e a procura foi imediata”, explica Nidia Szylit, sócia administrativa da Eurico Calçados. Hoje a empresa tem duas lojas em São Paulo e 20% do faturamento vem do e-commerce. No entanto, a maior mudança observada por Nidia foi a facilidade em conseguir mais fornecedores com o passar do tempo. “A gente leva um projeto e conseguimos modelos exclusivos, que não fazem parte da linha de produção normal deles”. Apesar de ter cortado pessoal no ano passado, a Eurico tem previsão de crescer 10% neste ano.

No interior de São Paulo há a Odete Lis, loja de calçados que há 30 anos comercializa produtos para o público feminino que calça a partir do número 40. A empresa sentiu a crise no ano passado e, embora não tenha divulgado o valor, o sócio-diretor, Neto Rissi, garante que não foi um recuo expressivo. Para reverter essa situação, Rissi diz que a empresa buscou vender calçados de valores menores e criou campanhas nas redes sociais para atrair mais consumidores. Neste ano, a Odete Lis prevê crescer até 20%.

Off-line X on-line

A discussão sobre a melhor forma de atender o cliente, seja no ambiente físico ou digital, diverge especialistas e empresários. Na 33e34 e na Sapato Grande, por exemplo, o início da operação se deu no mundo virtual para depois haver a busca por lojas próprias. No caminho inverso, a loja Odete Lis, que tem duas lojas em São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, tem no site sua “a terceira loja”. Para o diretor da empresa de inteligência de mercado Iemi, Marcelo Prado, a oferta virtual tem pontos positivos como chance de expor muitos produtos, além de ser uma variável de diferenciação para o cliente “em meio a um mercado que a oferta é maior que a demanda.”

No entanto, o dirigente da Ablac ressalta que a presença física é fundamental no ramo calçadista. “Além das compras por impulso que a loja proporciona, o consumidor deste segmento gosta de tocar e provar os produtos”, explica Batista. Independente de operar no virtual ou no on-line, Prado aponta que focar em nicho é uma solução sagaz. “Nos mercados de nicho a oferta é baixa, às vezes até as grandes redes não atendem essa demanda.

Informar Erro

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes