Empreendedor da IDXP diz que tirou sorte grande na loteria do ovário

Gustavo Lemos, CEO da IDXP, inventa solução inovadora para o mercado varejista brasileiro por meio de sua empresa no Vale do Silício.

SÃO PAULO – Aos 17 anos de idade, um dos primeiros desafios profissionais que Gustavo Lemos enfrentou foi montar uma loja de conveniência num posto de gasolina, em Belo Horizonte. Na ocasião, o mineiro não sabia nada sobre o mercado varejista e um funcionário do marketing da Coca-Cola o orientou quanto à disposição dos produtos mais vendidos: de cima para baixo e da esquerda para a direita. “Como sempre fui muito curioso, perguntei o porquê e ele me respondeu: ‘As pessoas sempre olham no mesmo sentido em que elas leem’. Naquele momento percebi que havia ciência por trás da experiência de compra e que informações sobre comportamento de consumo eram de extrema relevância”, recorda.

Esse conhecimento adquirido no passado sempre norteou seus passos no campo profissional, de tal modo que hoje, aos 35 anos, é CEO da IDXP Analytics, empresa criada no Brasil e sediada em Palo Alto, no Vale do Silício, Califórnia (EUA). Sua trajetória começou ao concluir a graduação em engenharia de telecomunicações. Lemos e um sócio desenvolveram um projeto de uma maquete (em pequena escala) de um supermercado, com os respectivos carrinhos hot wheels e algumas etiquetas inteligentes, simulando o comportamento do consumidor no interior da loja. “Ali, provamos que a tecnologia funcionava, mas ainda precisaríamos mostrar a viabilidade do negócio, o que aconteceu alguns anos após, quando conheci outro sócio, durante a pós-graduação, e montamos o primeiro plano de negócios”, relata.

IDXP - comportamento do consumidorFundação da IDXP

A experiência trabalhando em multinacionais levou Lemos a fundar a Redeinova, hoje empresa líder no segmento de telecomunicações. Além disso, em 2011, em conjunto com Victor Gollnick e Cristiano Paranhos, fundou a IDXP Analytics, responsável por criar a IDXP Path Platform, uma solução inovadora de análise de comportamento do consumidor e no serviço de mensuração da eficiência de ações promocionais na indústria de varejo. Conforme explica, o diferencial da ferramenta criada (PromoPower) é possibilitar aos fabricantes e varejistas uma análise detalhada do comportamento do consumidor na loja, em tempo real, contemplando dados como número de visitantes expostos, engajamento médio do cliente, frequência de retorno e taxa de conversão – proporção entre o número de pessoas que foram expostas à promoção avaliada e as que realmente compraram o produto.

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Em meio ao projeto, a IDXP contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para um programa de subvenção em inovação que investia, a fundo perdido, em empresas com potencial. “Ali foi o pontapé inicial para o começo do negócio”, afirma Lemos.  Sediada no Vale do Silício, a empresa mantém escritórios em Belo Horizonte (de pesquisa e desenvolvimento, com profissionais brasileiros, responsáveis pela criação e manutenção dos softwares) e em São Paulo. E possui clientes na América do Norte, Europa e América do Sul. Entre eles, figuram Carrefour, Mondeléz International (antiga Kraft Foods) e Walmart.

Prêmios

A oportunidade para Lemos arrumar as malas e mudar-se para a Califórnia surgiu a partir da implantação de um protótipo da ferramenta numa loja de uma rede de supermercados. Em seguida, o empreendedor apresentou o projeto-piloto na etapa brasileira do IBM Smart Camp, parte de um programa global da multinacional norte-americana que identifica e apoia novas empresas de tecnologia. “Vencemos a competição com projeção mundial, em 2011”, diz Lemos. Além do título de Global Entrepreneur of the Year, pela IBM, o produto PromoPower foi escolhido como Editor’s Choice na Shopper Marketing Expo 2014, nos Estados Unidos, principal evento mundial do segmento.

A partir daí, Lemos diz que sua maneira de enxergar o negócio e o mundo mudou. “A oportunidade de ser exposto ao DNA Vale do Silício é o maior valor que o local pode oferecer. O que eu vivo aqui não tem preço. O mundo aqui não tem fronteiras e problemas são vistos como oportunidades de mudar o status quo. Tive a sorte de estudar em Stanford, mas trabalhar e ser inspirado pelas grandes cabeças do mundo da tecnologia, isto sim, é a grande escola da vida”, sentencia. Reconhece, ainda, que herdou a força inspiradora dos avôs (curioso, inventivo e lógico do lado materno; e empreendedor, carismático e ótimo negociante do lado paterno). “Ambos foram (e ainda são) grande fonte de inspiração. Não tenho dúvida que tirei a sorte grande na ‘loteria do ovário'”, garante.

EmpreendedorismoFalta ousadia

Na opinião do engenheiro mineiro, falta aos brasileiros um pouco de ousadia para empreender. “O fato de termos mudado a IDXP para o Vale do Silício não altera a realidade de que somos uma empresa fundada por brasileiros e que resolvemos sonhar grande”, acentua. No longo prazo, ele deseja demonstrar, por meio de resultados da IDXP, que o Brasil tem capacidade, criatividade e talento para preencher grandes lacunas e criar empresas globais. Já a curto e médio prazo, Lemos espera que, com a IDXP, revolucione a eficácia das ações promocionais dentro da loja, promovendo uma plataforma colaborativa entre o varejo e a indústria. Com essa maior eficiência, gerar mais investimentos e, por consequência, vendas para o segmento, além de melhorar a experiência de compra para o consumidor.

Êxito da IDXP

Quando questionado se julga ser um empresário bem-sucedido, Lemos analisa que, sob a ótica externa, “talvez a trajetória possa ser vista como de sucesso. Tenho tido a oportunidade de construir negócios globais que estão permitindo a transformação de indústrias, e agrego valor aos nossos colegas de trabalho, clientes e acionistas”, aponta. Entretanto, o CEO da IDXP Analytics considera que, sob o seu ponto de vista, a resposta é negativa. “Gosto de um ditado japonês que diz: ‘Uma pessoa só se torna um verdadeiro mestre quando é superado pelos seus discípulos’. O dia em que as pessoas que se sentem inspiradas pelos reflexos positivos das nossas ações forem melhores do que nós, aí, sim, teremos atingido o sucesso pleno”, finaliza.

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