Brasil volta a ser devedor internacional após 19 anos, aponta Banco Central

Entenda a situação

O Brasil voltou a registrar uma posição de devedor internacional após 19 anos. Dados do Banco Central mostram que as obrigações do país com o exterior superaram o volume de reservas internacionais e outros ativos externos, revertendo a condição registrada desde 2007.

Em junho, a dívida externa brasileira chegou a US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas e os créditos externos somaram US$ 402 bilhões. Com isso, o saldo devedor líquido ficou em US$ 5,1 bilhões.

O movimento ocorre em meio ao crescimento da dívida externa e a uma expansão mais lenta das reservas internacionais. Os números também colocam em evidência a evolução das contas externas brasileiras, que incluem transações comerciais, pagamentos de serviços e rendimentos enviados a outros países.

Por que o Brasil voltou a ser devedor internacional?

A mudança ocorreu porque as obrigações brasileiras com o exterior ultrapassaram os ativos externos disponíveis para compensá-las. Na prática, isso significa que o país passou a dever mais ao restante do mundo do que tem a receber, considerando os indicadores utilizados no cálculo da posição externa líquida.

Segundo dados citados pelo Estadão/Broadcast, a dívida externa avançou 27,4% durante o atual governo, enquanto as reservas internacionais cresceram 15,8%.

A dívida externa bruta reúne compromissos de diferentes setores da economia, incluindo empresas, bancos e governo. Por isso, o indicador não representa exclusivamente débitos do governo federal.

A diferença entre os dois indicadores reflete ritmos distintos de crescimento. Enquanto as obrigações externas aumentaram, as reservas internacionais avançaram em proporção menor.

As reservas são ativos mantidos principalmente em moedas estrangeiras e outros instrumentos financeiros. Elas funcionam como uma proteção para a economia em períodos de instabilidade internacional e ajudam o Banco Central a lidar com eventuais pressões sobre o mercado de câmbio.

Quando a dívida externa cresce mais rapidamente do que os ativos externos, a posição líquida do país pode passar de credora para devedora.

O que muda com o Brasil na posição de devedor internacional?

A mudança não significa, por si só, que o Brasil esteja em crise cambial ou tenha perdido a capacidade de honrar seus compromissos. A avaliação depende de outros fatores, como o volume de reservas, a entrada de investimentos estrangeiros, o perfil das obrigações e a evolução do balanço de pagamentos.

Outro indicador acompanhado pelo mercado é o déficit em transações correntes, que reúne operações de comércio de bens e serviços, além de pagamentos e recebimentos de rendimentos entre residentes no Brasil e no exterior.

Em 2025, o saldo negativo dessas transações chegou a US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023.

Os investimentos estrangeiros diretos ajudam a financiar esse déficit. Caso a entrada desses recursos diminua enquanto as necessidades de financiamento externo aumentam, o país poderá enfrentar maior pressão sobre suas contas externas.

Por isso, a evolução da dívida, das reservas e dos fluxos de capital estrangeiro será determinante para avaliar a trajetória da posição internacional brasileira.

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