Indústria e serviços mostram fôlego no PIB do 1º trimestre

Todos os subsetores da indústria cresceram, à exceção do de transformação, e serviços dão sinais de recuperação

Embora o número mais vistoso dentro do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2021 tenha sido apresentado pelo setor de agronegócio, que avançou 5,2%, os dados positivos de outros setores surpreenderam os analistas. O PIB dos primeiros três meses do ano cresceu 1,2%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira, 1º de junho.

A alta do agronegócio, que já vem em curva contínua de crescimento nos três meses anteriores, foi sustentada pela melhora na produtividade e no desempenho de produtos como a soja, que tem peso expressivo na lavoura brasileira e especialmente nas exportações, com a China sendo ainda o maior comprador. Esses produtos foram também beneficiados pela valorização das commodities no mercado externo. Além disso, há previsão de safra recorde este ano. Segundo o IBGE, a safra de grãos, cereais e leguminosas deve somar 264,5 milhões de toneladas em 2021, com uma produção 4,1% acima da de 2020.

Se de certa forma os dados positivos do Agro eram esperados, o que mais animou os analistas de mercado foi alta de 0,7% na indústria e de 0,4% nos serviços. A atividade industrial foi puxada pelas Indústrias Extrativas, com crescimento de 3,2%, mas segmentos da Construção com avanço de 2,1% e de Eletricidade e gás, água e esgoto e atividades de gestão de resíduos com elevação de 0,9% também tiveram bons resultados. Somente a indústria de transformação foi em sentido contrário, fechando o trimestre em queda de 0,5%.

Setor de serviços surpreendem no 1º trimestre

O setor de serviços, sem dúvida o mais castigado pela pandemia devido ao isolamento social compulsório e às restrições de mobilidade, e que vinha travando uma recuperação do PIB, já veio com indicações de retomada de atividades econômicas nos três primeiros meses do ano.

Transporte, correio e armazenagem registraram alta de 3,6%; Intermediação financeira e seguros, de 1,7%; Informação e comunicação, 1,4%; Comércio 1,2%; Atividades imobiliárias 1,0%; e Outros serviços, 0,1%.

Em serviços, a única queda no 1º trimestre apareceu na área de Administração, saúde e educação pública, de 0,6%. Não está havendo muitos concursos para preenchimento de vagas ao mesmo tempo em que estão sendo registradas aposentadorias de trabalhadores com redução da ocupação do setor.

Há que se destacar também o crescimento dos investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), de 4,6%, influenciados pelo aumento na produção interna de bens de capital e no desenvolvimento de softwares, a alta na construção e os impactos do Repetro, regime aduaneiro especial que permite ao setor de petróleo e gás adquirir bens de capital sem pagar tributos federais.

A balança comercial brasileira teve uma alta de 3,7% nas exportações de bens e serviços, enquanto as importações cresceram 11,6% em relação ao quarto trimestre de 2020. “Na pauta de importações, destacaram-se os produtos farmoquímicos para a produção de vacinas contra a covid-19, máquinas e aparelhos elétricos, e produtos de metal. Entre as exportações, foram os produtos alimentícios e veículo automotores.

Consumo das famílias no 1º trimestre de 2021

Segundo o IBGE, os efeitos da pandemia influenciaram a estabilidade no consumo das famílias, que teve queda de 0,1% no primeiro trimestre deste ano, frente ao quarto trimestre de 2020. Já o consumo do governo encolheu 0,8%.

Nesses resultados pesaram o aumento da inflação, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período e o mercado de trabalho desaquecido.  Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do governo às famílias, como o auxílio emergencial”, detalha Rebeca Palis, observando, por outro lado, que houve aumento no crédito para pessoas físicas.

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