Racismo no futebol: relembre casos de preconceito contra jogadores

Ofensa contra Marinho, do Santos, não foi um episódio isolado; veja atletas que foram vítimas de racismo no futebol pelo mundo

Depois de ser expulso na derrota do Santos contra a Ponte Preta pelas quartas de final do Paulistão, o atacante Marinho acabou se tornando a mais recente vítima de racismo no futebol. E, infelizmente, está longe de ser um caso isolado.

Ao falar sobre a expulsão do jogador na rádio Energia 97, o comentarista Fabio Benedetti foi questionado sobre o que diria ao jogador no grupo de WhatsApp do qual os dois fazem parte. “Eu vou falar assim: ‘Você é burro, você está na senzala, você vai sair do grupo uma semana para pensar sobre o que você fez’”, respondeu o radialista.

A declaração ganhou repercussão imediata e o próprio Marinho se manifestou contra o racismo no futebol: “Tenho orgulho da minha cor, orgulho de onde vim, você é pai e ensine teus filhos a ser diferente de você em pensamento”, escreveu no Instagram. O comentarista se retratou e pediu desculpas, que foram aceitas pelo jogador.

“Cometi um ato falho, que não representa meus valores, me penitencio por isso e estou aprendendo com isso”, declarou Fábio Benedetti em nota à imprensa. Ainda assim, ele acabou sendo demitido da rádio Energia 97. Assim como Marinho, relembre ouros jogadores que foram vítimas de preconceito.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Casos de racismo no futebol

Lukaku

O atacante belga da Inter de Milão foi envolvido em uma situação parecida com a de Marinho em 2019, quando o jornalista Luciano Passirani afirmou que a única maneira de parar o jogador era “dar a ele 10 bananas para comer”. O comentarista de 80 anos acabou demitido. Mas o racismo contra Lukaku não parou. Contra o Slavia Praga, pela Champions, ele respondeu às ofensas da torcida com duas assistências e um gol.

Aranha

Goleiro Aranha reclama de ofensas racistas na Arena do Grêmio em 2014
Reprodução de TV

O goleiro protagonizou um dos casos de racismo no futebol mais repercutidos no Brasil. Foi em 2014, quando ele jogava no Santos e disputava um jogo contra o Grêmio pela Copa do Brasil, em Porto Alegre. Um dos melhores em campo na vitória do seu time, o goleiro saiu de campo sob xingamentos racistas da torcida. Uma torcedora foi flagrada pelas câmeras de TV chamando Aranha de “macaco”, enquanto outros imitavam os sons do animal.

Tinga

Também em 2014, o volante então no Cruzeiro foi hostilizado por torcedores do Real Garcilaso, do Peru, durante um jogo pela Copa Libertadores. Ele já tinha sido vítima de racismo em 2005, quando jogava no Internacional. Na época, ele chegou a dizer que trocaria todos os títulos da carreira por igualdade e respeito.

Balotelli

Em 2019, o atacante jogava no Brescia e se irritou ao ouvir ofensas racistas da torcida do Hellas Verona. Chutou a bola contra a arquibancada e ameaçou deixar o gramado. Convencido a ficar em campo, acabou fazendo um golaço após acertar uma bomba no ângulo, de fora da área.

Kevin-Prince Boateng

Em 2013, o meia ganês que jogava no Milan decidiu sair de campo depois dos cantos racistas da torcida do Pro Patria. Não só ele como também os atletas do seu time – e até da equipe adversária. Revoltados, todos os jogadores resolveram abandonar a partida, que foi cancelada.

Yaya Touré

Em 2014, o meia marfinense jogava no Manchester City quando foi vítima de ataques racistas em suas redes sociais. Na época, ele cobrou uma atitude mais enérgica da Fifa contra o racismo no futebol: “Tenho tentado dizer à Fifa que eles estão no caminho errado. Precisamos fazer alguma coisa. Tenho sido atacado por muitos anos”.

Daniel Alves

Daniel Alves come banana jogada em campo
Reprodução de vídeo

O lateral brasileiro reagiu com mais leveza ao ver uma banana sendo jogada contra ele durante um jogo do Barcelona contra o Villarreal, em 2014. Daniel Alves pegou a fruta, descascou e comeu logo antes de bater o escanteio e dar sequência ao jogo. “Estou na Espanha há 11 anos e há 11 anos é dessa maneira. Temos de rir dessa gente atrasada”, comentou na época.

Grafite

Um dos casos mais lembrados de racismo no futebol aconteceu em 2005, quando o então atacante do São Paulo e hoje comentarista do SporTV foi provocado com ofensas racistas pelo zagueiro Leandro Desábato, do Quilmes, durante um jogo da Libertadores. O jogador argentino recebeu voz de prisão ainda na saída de campo.

Marcelo

Ídolo do Real Madrid, o lateral brasileiro está acostumado com os xingamentos da torcida rival quando vai ao estádio do Atlético de Madri. Mas, em duas ocasiões, as ofensas passaram dos limites. Em 2011, ele foi chamado de macaco pelos torcedores colchoneros. Três anos mais tarde, sobraram insultos até para seu filho Enzo, que estava ao lado do pai durante o aquecimento.

Taison e Dentinho

Taison sai de campo chorando após caso de racismo no futebol da Ucrânia
Reprodução de TV

Um dos casos mais comoventes de racismo no futebol aconteceu em 2019, na Ucrânia, e teve como vítimas os brasileiros Taison e Dentinho, do Shakhtar Donetsk. Taison não conteve a revolta e mostrou o dedo do meio para a torcida após ouvir cantos racistas. Além disso, chutou a bola para longe. Como se não percebesse o que estava acontecendo, o árbitro decidiu expulsar o brasileiro, que saiu de campo chorando.

Neymar

Cobrado recentemente por não ter uma postura mais marcante contra o racismo, Neymar também foi vítima de preconceito em campo. Em 2011, durante um amistoso contra a Escócia, uma banana foi atirada contra o craque brasileiro. O ato foi cometido por um turista alemão que assistia ao jogo em Londres na arquibancada reservada à torcida brasileira.

Informar Erro

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes