Tapetão no Brasileirão: relembre as principais viradas de mesa

Quando a Justiça comum quase adiou o jogo entre Palmeiras e Flamengo pelo Brasileirão, parecia que mais um caso de tapetão estava por vir

Quando a Justiça comum quase adiou o jogo entre Palmeiras e Flamengo pelo Brasileirão, parecia que mais um caso de tapetão estava por vir. Mas, no fim das contas, uma decisão da instância superior acabou garantindo a realização da partida, e os dois times entraram em campo.

O surto de covid-19 no Flamengo fez com que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinasse o adiamento da partida contra o Palmeiras. Revoltado, o presidente alviverde falou até em “paralisar” o campeonato. A CBF, no entanto, recorreu ao TST, que deu decisão favorável à realização da partida.

História do tapetão no Brasileirão

Na última vez em que a Justiça comum interferiu na Série A, surgiu a Copa João Havelange, uma das edições mais confusas e polêmicas da história do campeonato. Veja a seguir, então, os principais casos de tapetão na história do Brasileirão.

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1986

O Brasileirão de 1986 começou com nada menos que 80 clubes. Não à toa, foi um dos mais desorganizados da história. Segundo o regulamento, 32 clubes se classificavam para a segunda fase, e os 24 melhores estariam garantidos na primeira divisão do ano seguinte. Os demais jogariam a segundona.

Depois que um jogador do Sergipe foi pego no doping em um empate contra o Joinville, o time catarinense ficou com os pontos da partida. Assim, ultrapassou o Vasco, que ficou fora da segunda fase e, consequentemente, da Série A de 1987.

Mas o time carioca recorreu na Justiça comum, dando início a uma batalha judicial que fez a CBF aumentar o número de participantes da segunda fase para 36 times.

Tamanha confusão motivou a criação do Clube dos 13, para representar os interesses dos grandes times brasileiros. Dando início, então, a mais uma história de tapetão no Brasileirão.

Zico segura a Taça das Bolinhas em 1987
Reprodução

1987

Com a criação do Clube dos 13, o Brasileirão de 1987 foi dividido em dois. De um lado, o Módulo Verde, ou Copa União, torneio organizado pelo próprio Clube dos 13 onde estavam os times de maior torcida. Do outro, o Módulo Amarelo, criado pela CBF. Os vencedores de cada um decidiriam o título em um quadrangular final.

Botafogo e Coritiba, que estariam rebaixados após o Brasileirão de 1986, foram salvos ao serem incluídos no Módulo Verde. Mas este foi o menor dos problemas do Brasileirão de 1987. Afinal, ao vencer a Copa União, o Flamengo foi declarado campeão brasileiro pelo Clube dos 13 e simplesmente não apareceu para jogar o quadrangular final.

Sem Flamengo e Internacional, que viriam do Módulo Verde, a CBF considerou que a decisão do Brasileirão de 1987 foi entre Sport e Guarani, os únicos participantes do quadrangular final. O time pernambucano levou a melhor, mas passou anos tentando reconhecer a conquista.

Até que, em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou o Sport como campeão brasileiro de 1987. O Flamengo, no entanto, busca o reconhecimento da Copa União como título nacional para ficar com a famosa “Taça das Bolinhas”, que seria entregue ao primeiro pentacampeão brasileiro.

1993

Em 1991, o Grêmio caiu para a segunda divisão. Para piorar, teve dificuldades na Série B e terminou apenas em nono lugar. Mas, pressionada pelo Clube dos 13, a CBF mudou o regulamento do Brasileirão de 1993. Assim, os 12 primeiros colocados da segundona em 1992 teriam direito a jogar a Série A no ano seguinte. E o Grêmio pôde voltar à elite.

Presidente do Fluminense estoura champanhe após tapetão no Brasileirão de 1996
Reprodução

1996

Quando o Brasileirão de 1996 terminou, Fluminense e Bragantino estavam rebaixados. Até que surgiram gravações indicando um esquema de manipulação de resultados articulado pelo então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Ivens Mendes. Por causa das denúncias, a CBF cancelou o rebaixamento naquele ano. O presidente do Fluminense, Álvaro Barcellos, comemorou com champanhe. Mas, apesar do tapetão no Brasileirão de 1996, o tricolor carioca cairia novamente no ano seguinte.

2000

O Brasileirão de 1999 teve a classificação final alterada devido ao caso Sandro Hiroshi, jogador do São Paulo que estava com documentos adulterados. Assim, Inter e Botafogo recuperaram os pontos perdidos contra o São Paulo. Com isso, o Gama acabaria sendo rebaixado. Mas o time do Distrito Federal recorreu na Justiça Comum, e ganhou. No entanto, sofreu punição da Fifa, que não permite este tipo de manobra. A CBF se viu em um fogo cruzado e abriu mão de organizar o Brasileirão no ano seguinte.

Dessa forma, o Brasileirão de 2000 virou Copa João Havelange, organizada pelo Clube dos 13 com o número recorde de 116 participantes, divididos em quatro módulos. O Fluminense, que jogaria a Série B naquele ano, foi incluído no Módulo Azul, correspondente aos clubes da elite. Assim, subiu automaticamente para a primeira divisão no próximo ano. Já o São Caetano, que nem estaria na primeira divisão, saiu do Módulo Amarelo até a final do torneio, vencido pelo Vasco.

2005

No caso que ficou conhecido como Máfia do Apito, 11 partidas apitadas pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho foram anuladas após denúncias de manipulação de resultados. Quem se deu bem foi o Corinthians, que recuperou a liderança graças ao bom desempenho nos jogos remarcados e ultrapassou o Internacional para ficar com o título.

2013

Ao final do Brasileirão de 2013, o Fluminense estava entre os quatro times rebaixados. Mas tinha uma carta na manga: a escalação irregular de Héverton pela Portuguesa. O time paulista sofreu punição com perda pontos e acabou rebaixado no lugar do tricolor carioca.

Origem do termo “tapetão”

O Fluminense, aliás, foi o time que motivou a origem do termo “tapetão”, mas não no Brasileirão. No Carioca de 1969, o tricolor conseguiu escalar um jogador suspenso graças a um recurso da Justiça comum. A imprensa, então, afirmou que o clube recorreu aos  “tapetes dos tribunais”.

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