Classes mais baixas reduzem compras de calçados

O tíquete médio dos calçados, no entanto, está protegido por conta do número menor de clientes das classes C, D e E nas lojas.

São Paulo – O volume de pares vendidos pelo varejo físico de calçados caiu nos últimos três anos. Mas os consumidores ainda propensos a gastar estão voltando a comprar e em um ritmo mais acelerado, revela pesquisa da consultoria IEMI Inteligência de Mercado. Em 2017, o tíquete médio do segmento atingiu os R$ 215,84; em 2014, ele apontava R$ 191,87. Segundo o diretor do IEMI, Marcelo Prado, o crescimento é justificado pelo perfil do consumidor que manteve o poder de compra praticamente intacto – ou aquele das classes A ou B. “A crise causou uma diminuição no número de pessoas que compram, mas sobretudo entre os consumidores de menor renda”, explica Prado.

Em 2014, segundo o IEMI, 903 milhões de pares foram comercializados. No ano passado, esse montante caiu para 784 milhões. Em período semelhante, a média anual de compra de calçados entre as classes A e B subiu de 4,2 para 4,7. No mesmo período, o consumidor das classes C, D e E foi em sentido inverso, comprando 3 pares por ano atualmente, contra 3,4. A média geral é 3,8 (ante 3,6). Com unidades nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba e especializada em calçados masculinos, as Lojas Viggo perceberam movimento semelhante. Segundo o diretor de marketing e expansão da rede, Diogo Oliveira, o tíquete médio da Viggo passou de R$ 200,62 em 2016 para quase R$ 220 no primeiro semestre deste ano. “Já o nosso PA [peças por atendimento] aumentou para 1,8 atualmente contra 1,6”, afirma Oliveira.

Hábitos das classes

Por comprar em frequência anual menor, o cliente das menores classes está se tornando mais exigente, observa Prado. Ainda que o fator preço tenha se tornado o mais preponderante entre o público (batendo o quesito atendimento, que liderava no pré-crise), o interesse dele é comprar o mesmo produto de antes, mas a um custo menor. “As marcas são tão exigidas quanto antes, mas a procura é por lugares mais acessíveis. Este consumidor não quer recuar, então as marcas que querem conquistá-lo precisam oferecer um produto competitivo em relação às marcas ‘de cima’. Se ela oferece só o ‘basicão’, o cliente acaba adiando a compra”, avalia. Ainda assim, o percentual de consumidores afirmando que a marca não foi decisiva na escolha do produto adquirido atingiu 54% (foram ouvidas 1,2 mil pessoas entre o fim de 2016 e o início de 2017).

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

e-commerceCanais

O IEMI também analisou mudanças em relação aos canais de venda. Um dos pontos é o aumento das vendas de calçados no e-commerce, que passou de 10,6% do total em 2014 para 14,5% atualmente. Entre os calçados vendidos em estabelecimentos físicos, destaque para a participação das lojas de departamento, que saltou de 14% do total em 2014 para 38% atualmente. As lojas multimarcas, por outro lado, passaram de 62% do total para 38%. As monomarcas também vivenciaram queda, mas de forma mais contida – de 18% para 11%. “As multimarcas estão sendo empurradas para as periferias, visto que muitas delas não conseguem mais se sustentar dentro dos shoppings”, sugere Prado. Gerente da Viggo (que é monomarca e atua com produção própria), Oliveira lembra que as lojas de departamento possuem algumas vantagens nesta competição, como a maior penetração de cartões de marca própria (private label) e possibilidade de ações de marketing envolvendo personalidades.

Informar Erro

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes